Violência moral e psicológica são maioria entre as vítimas atendidas na unidade

 

Foto: SupCom ALE-RR

Com a missão de combater a violência doméstica no Estado de Roraima, no primeiro semestre de 2018, o Chame (Centro Humanitário de Apoio a Mulher), ligado à Procuradoria Especial da Mulher da Assembleia Legislativa de Roraima, atendeu 564 vítimas de violência doméstica. Os dados preocupam, mas mostram que as mulheres estão quebrando o silêncio e buscando ajuda.

A maior parte dos atendimentos não envolve a violência física. Do total de atendimentos, 161 mulheres sofreram violência psicológica (28%) e 142 foram agredidas moralmente (25%), enquanto 88 foram casos de violência física. Também foram recebidas vítimas de violência sexual (19 casos), cibernética (12 casos) e patrimonial (61).

Muitas mulheres nem percebem que aquilo que lhes causa tanto sofrimento é passível de denúncia. É o caso de Maria da Silva (nome fictício), cujo marido a proibia de sair, conversar, visitar parentes e amigos.  Maria conta que sempre trabalhou muito para dar o melhor aos dois filhos do casal, enquanto o companheiro trabalhava quando queria. Nessa época, ela narra ter ouvido várias ofensas: ”Minha ex-mulher era melhor que você”; “Te conheci na rua, você é ‘uma qualquer’ ”; “Eu fico com você porque é o jeito. Se tu me largar, ninguém mais vai te querer”.

Quando a mãe de Maria faleceu, há 5 anos, deixou  um carro como herança. Quando ameaçou se separar – mais uma entre as inúmeras vezes –  o ex-marido não queria devolver o veículo, documentos, cartões bancários e outros bens de Maria. “Tive que obrigá-lo a me dar meus documentos e, ainda,  vi que ele acabou vendendo algumas peças do carro”.

Foi graças ao Chame que Maria percebeu que estava sendo vítima de violência psicológica e patrimonial. “Tive assistência jurídica e me orientaram sobre como proceder. Também recebi apoio psicológico para conseguir lidar melhor com isso”.

Independentemente do tipo de violência, ao serem acolhidas, as mulheres recebem acompanhamento jurídico, social e psicológico. O Centro é único no Estado de Roraima que presta um atendimento especializado para mulheres e famílias vítimas de violência doméstica.

A procuradora especial da Mulher e deputada Lenir Rodrigues, explica que embora os números sejam crescentes, isso mostra que as vítimas estão mais informadas sobre a rede de apoio e, por isso, acabam buscando ajuda do Chame. “A maioria das denúncias são feitas pelo telefone e pelo ZapChame [aplicativo Whastapp]”.

O Chame também realiza o treinamento dos profissionais de saúde, orientados para identificar e notificar casos de mulheres vítimas de violência atendidas nos hospitais. Estes casos são encaminhados para uma investigação social. A unidade conta ainda com várias parcerias, como as igrejas evangélicas, que mobilizam programações educativas e palestras para famílias roraimenses, sempre com temas voltados ao combate da violência contra a mulher.

CHAME – Desde 2009, quando foi implantado, o Centro já atendeu mais de 14 mil mulheres em Roraima, com serviço psicossocial e ações de prevenção, audiências de conciliação bimestrais pela Vara da Justiça Itinerante e Defensoria Pública. O Centro funciona na rua Coronel Pinto, 524 e mais informações podem ser obtidas pelo 0800-095-0047. Por telefone, as vítimas podem solicitar atendimento ainda por meio do ZapChame 98402-0502 que  funciona 24 horas, todos os dias e atende pessoas tanto da Capital quanto do interior.

SupCom ALERR