VACINA EM CASA
Lei estadual obriga UBS a atender idosos e deficientes com comorbidade

Para contribuir com a saúde pública e a eliminação de vírus e bactérias, alcançando maior cobertura vacinal, desde 2018 está em vigor a Lei nº 1.288, de autoria do deputado Jorge Everton (sem partido), aprovada pela Assembleia Legislativa de Roraima, que dispõe sobre a vacinação domiciliar.

A vacinação em casa deve atender às pessoas idosas, com deficiência motora, multideficiência profunda com dificuldade de locomoção, doenças incapacitantes e degenerativas, com Síndrome de Down e autistas.

Idoso é aquele com idade igual ou superior a 60 anos. Para ser atendido em casa, é preciso se cadastrar nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) da Prefeitura Municipal de Boa Vista (PMBV).

 

A dona de casa Helena Aragão faz uso da lei desde que foi sancionada. A mãe dela tem 92 anos e está totalmente dependente. Além disso, tem uma hipersensibilidade na pele, necessitando de cuidados redobrados.

 

 

“É um problema sério de pele, pois é muito delicada. Até quando seguramos nela para colocar no carro, ficam marcas, aparecem hematomas. Então, desde 2018, não tiramos mais ela de casa. O pessoal do posto de saúde vem até aqui, onde, inclusive, tomou a vacina”, contou, ressaltando que a idosa pouco se comunica e diariamente está acompanhada. “Somos 13 filhas. Por dia, tem duas marias de plantão”.

Para ela, a lei estadual é uma garantia a mais para o atendimento dos idosos e de outras pessoas com dificuldades de locomoção. “É uma lei muito boa para a população, porque assim como a minha mãe, tem muitas pessoas nesta situação”, disse.

No caso da deficiência motora, de caráter permanente, a norma estabelece que o nível de comprometimento dos membros inferiores ou superiores seja igual ou acima de 60% e dificulte o acesso ou a utilização de transporte público coletivo convencional.

A lei também vale para aqueles que estão enfermos, com deficiência motora, sensorial, intelectual ou visual, de caráter permanente em um grau de incapacidade igual ou superior a 90%, e ampara ainda a “pessoa com Síndrome de Down, autista e com transtorno de desenvolvimento grave que prejudique a capacidade de se comunicar e interagir”.

A Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) atende pessoas que são cadastradas na Estratégia Saúde da Família (ESF) e que possuem indicação de vacinação em domicílio por estarem acamadas ou em outra situação que impossibilite chegar até a unidade de saúde.

 

Conforme a Secretaria Estadual de Saúde (Sesau), a campanha contra covid-19, incluindo a aplicação de vacinas de rotina como a da influenza, é de total responsabilidade dos 15 municípios do Estado. Dessa forma, a vacinação e a busca ativa do público-alvo competem a cada prefeitura.

Texto: Marilena Freitas

Foto: Marley Lima / Tiago Orihuela

SupCom ALE-RR

JANEIRO BRANCO
Psicóloga da Assembleia Legislativa recomenda bons hábitos para manter equilíbrio mental

O Janeiro Branco é um mês de alerta para se manter a saúde mental. Mas como cultivá-la, independentemente dos problemas que surgem no dia a dia? Os hábitos diários auxiliam na construção de uma vida para encontrar o equilíbrio da mente, mesmo diante de situações adversas, como ensina Gabriela Nogueira, psicóloga do Núcleo de Saúde da Assembleia Legislativa de Roraima (ALE-RR).

Ela recomenda atividades que influenciam o cotidiano, como a prática de exercícios físicos, alimentação saudável e equilibrada, aliadas à necessidade de “puxar o freio de mão” e desacelerar.

“É preciso reservar tempo para descanso e momentos de lazer, além de buscar o autoconhecimento por meio da psicoterapia. Essas atitudes ajudam a manter uma vida equilibrada”, explicou.

Fazer o que se gosta é uma boa maneira de aliviar os sintomas do estresse. Filmes e livros, ressalta Gabriela, são ótimos para manter a vida mais leve, principalmente quando estimulam a reflexão e a calmaria.

“Os filmes e livros podem ser considerados um momento de lazer. Eles podem ajudar na redução dos níveis de estresse, estimulação da criatividade, potencialização da memória e a melhorar o humor e o desenvolvimento de senso crítico”, aconselhou.

Ainda de acordo com a psicóloga, é importante escolher o que será consumido, pois alguns conteúdos podem causar gatilhos emocionais negativos. “Mas isso vai depender da história de vida de cada indivíduo”, ressaltou.

Ela recomenda ficar atento ao filme ou livro escolhido. “Ao se deparar com algo que desperta emoções negativas, pode ser a hora de você mudar o filme e a leitura. Analise se vai afetar a sua saúde mental ou não”, orientou.

Gabriela citou três filmes que abordam temas sobre cuidados com a saúde emocional. “Não tenho como recomendar um que vá causar bem-estar na pessoa, afinal isso é muito relativo e individual. O que me satisfaz, pode fazer o inverso em você, por exemplo”.

 

Os filmes indicados têm classificação infantil e podem ser assistidos por toda a família. Confira a lista:

Divertida Mente (Classificação: Livre – 2015) – O filme conta a história de Riley, uma garota divertida de 11 anos de idade, que deve enfrentar mudanças importantes na vida quando seus pais decidem deixar a cidade natal, no estado de Minnesota, para viver em São Francisco. Dentro do cérebro de Riley, convivem várias emoções diferentes, como a Alegria, o Medo, a Raiva, o Nojinho e a Tristeza. A líder deles é Alegria, que se esforça bastante para fazer com que a vida de Riley seja sempre feliz. Entretanto, uma confusão na sala de controle faz com que ela e Tristeza sejam expelidas do local. Agora, elas precisam percorrer as várias ilhas existentes nos pensamentos de Riley para que possam retornar à sala de controle. Mas enquanto isto não acontece, a vida da garota muda radicalmente.

Extraordinário (Classificação: 10 anos – 2017) – O filme conta a história de Auggie Pullman, um garoto que nasceu com uma deformação facial, o que fez com que passasse por 27 cirurgias plásticas. Aos 10 anos, pela primeira vez ele frequentará uma escola regular, como qualquer outra criança. Lá, precisa lidar com a sensação constante de ser sempre observado e avaliado por todos à sua volta.

O Bom Dinossauro (Classificação: Livre – 2015) – Os dinossauros foram extintos após a colisão de um gigantesco asteroide com o planeta Terra. E se este evento não tivesse ocorrido? O filme parte desta premissa para trazer a história de dinossauros que ainda hoje controlam o planeta. E mostra a amizade de Arlo, um dinossauro adolescente, com um jovem menino humano, Spot.

Núcleo de Saúde da ALE-RR 

O Núcleo de Saúde da Assembleia Legislativa de Roraima tem realizado um trabalho com os servidores da Casa, cuja finalidade é ajudá-los a ultrapassar barreiras que podem influenciar no estresse diário.

As estatísticas do setor mostram que em 2021 houve 1.005 atendimentos, dos quais 393 foram feitos pela psicóloga. “Qualquer servidor que precisar, pode entrar em contato com o setor por ligação ou Whats, das 7h30 às 18h, para agendar”, disse Elissandra da Silva, chefe do Núcleo de Saúde, ao ressaltar que a procura contínua sendo significativa.

Os atendimentos ocorrem das 8h às 17h e o agendamento pode ser feito por meio do número (95) 98402-4653.

Leis estaduais auxiliam na manutenção e tratamento da saúde mental 

O Parlamento estadual tem trabalhado na aprovação de leis que promovem campanhas em prol da saúde mental. De autoria da deputada Angela Águida Portella (PP), a Lei nº 1.220/17 institui o Janeiro Branco, que faz parte do calendário oficial do Estado desde 2017, cuja finalidade é promover campanhas e debates sobre o assunto.

Em 2016, foi sancionada a Lei nº 1.065/16, que incluiu no calendário oficial do Estado a “Semana de Valorização da Vida e Prevenção ao Suicídio”, proposta pelo deputado Evangelista Siqueira (PT).

Para evitar subnotificações e saber a realidade dos dados relativos a suicídio, a Lei nº 1.364/19, da deputada Yonny Pedroso (SD), obriga a Secretaria Estadual de Saúde (Sesau) a notificar também os casos de tentativa de suicídio e automutilação.

Faz parte deste conjunto a Lei nº 1.324/19, do deputado Neto Loureiro (MDB), que cria a política de diagnóstico e tratamento da doença na rede pública de saúde, tornando acessível o tratamento terapêutico e medicamentoso àqueles que sofrem de depressão.

Outra norma que também vai ao encontro das políticas públicas de prevenção é a Lei 1.441/20, do deputado Evangelista Siqueira, que estabeleceu a contratação emergencial temporária de psiquiatras, psicólogos, assistentes sociais e terapeutas ocupacionais pela Sesau, para atender as vítimas de depressão e tendências suicidas em decorrência da covid-19.

Ainda em 2021, entrou em vigor a Lei nº 1.410/20, proposta pelo deputado Jalser Renier (SD), que autoriza o Executivo a criar um portal online para comunicação entre profissionais de saúde mental e pessoas que sofrem de ansiedade, pânico, depressão e doenças semelhantes em decorrência do isolamento social.

Texto: Marilena Freitas

Foto: Marley Lima / Tiago Orihuela / designer ALERR

SupCom ALE-RR

DIREITOS HUMANOS
Assembleia Legislativa oferece capacitação a jovens indígenas

Cerca de 60 adolescentes, entre jovens, pais de famílias e agentes de segurança, moradores da Comunidade Malacacheta, no município de Cantá, participam nesta terça (11) e quarta-feira (12) do primeiro módulo do curso de multiplicadores “Exercendo Cidadania nas Comunidades Indígenas”, promovido pelo Programa de Direitos Humanos e Cidadania (PDHC) da Assembleia Legislativa de Roraima.

“A nossa primeira capacitação do ano é diferente, pois é voltada para o jovem indígena. Ela foi requisitada pelas lideranças da Serra da Lua. E os assuntos abordados, como gravidez na adolescência, automutilação e alcoolismo estão de acordo com o que os líderes levantaram e viram de maior necessidade”, explicou, na abertura do evento, a presidente do programa, a parlamentar Lenir Rodrigues (Cidadania).

 

Jucileia Teixeira, organizadora da capacitação e coordenadora do Centro de Apoio e Assuntos Indígenas (CAAI), vinculado ao PDHC, diz que a ideia é que o conhecimento adquirido seja compartilhado com a comunidade. “Quem participar, poderá passar os ensinamentos dos cursos para outras pessoas das comunidades indígenas e até mesmo nas escolas”, ressaltou.

A população da região tem cerca de 10 mil habitantes distribuídos em 21 comunidades, onde predominam as etnias Wapichana e Macuxi. Para o coordenador da Serra da Lua, Clóvis Ambrósio, ativista da luta indígena desde a década de 1970, a juventude do local cresceu e os hábitos mudaram. Para ele, cursos direcionados são uma forma de garantir o legado e criar formas de se comunicar com a nova geração.

“Faço parte do movimento indígena desde 1974 e vejo que a nova geração aumentou. Mas muitos não querem obedecer aos pais e às orientações das lideranças. Então, esses cursos com a participação do jovem vão ser muito bons para a gente ter mais força na comunidade com relação a orientações, porque antes só nós, velhos, falávamos e eles podiam dizer: ‘esse velho está ficando doido’. Agora, com essa oportunidade, podem conhecer quais direitos têm por meio de outros jovens”, avaliou.

Ciclo de palestras

 

Uma plateia atenta acompanhou o ciclo de palestras sobre adolescência, gravidez precoce, automutilação, depressão, suicídio, autoconhecimento, direitos e deveres indígenas. A semente multiplicadora da capacitação foi ao encontro das situações vivenciadas, como a falta de educação sexual e planejamento familiar, na Comunidade do Canauanim, onde vive Lilian Cadete da Silva, 15 anos, da etnia Wapichana.

“De todos os temas, gravidez na adolescência foi o que chamou minha atenção, pois no ano passado houve muitos casos na minha comunidade. Muitos deles, envolvendo crianças a partir dos 12 anos. Então, é muito importante para termos mais consciência”, revelou.

Alcineia Pinho é mãe de quatro filhas, com idades entre 13 e 23 anos. Vice-coordenadora da Comunidade do Campinho, da terra indígena Canauanim, ela também destacou a gravidez precoce e o suicídio como problemas de saúde pública enfrentados pelos jovens.

“Como mãe, me preocupo muito e levo essa preocupação para os nossos jovens. Na minha comunidade, como nas outras, a gravidez na juventude é grande. Assim como o suicídio, principalmente na Serra da Lua. Nós tivemos aumento considerável de suicídios de jovens”, lamentou.

As etnias indígenas apresentam costumes, crenças e línguas distintas, contudo independentes da cosmovisão e dos aspectos constitutivos de cada uma. O indígena, inevitavelmente, atravessará o processo de mudança corporal, comportamental e cognitivo da adolescência. Nesse sentido, de acordo com uma das palestrantes, a técnica de enfermagem Naiara Queiroz, as transformações devem ser informadas e discutidas sem tabus, ou seja, é preciso que haja um diálogo franco entre gerações diferentes para minimizar os fatores que põem em risco a passagem para uma vida adulta sadia.

“É importante a participação dos pais e dos adolescentes para eles saberem como tratar e como se comportar com os filhos, porque, às vezes, essa falta de comunicação pode retardar o amadurecendo deles, além de acarretar depressão, levar à automutilação e à gravidez indesejada”, alertou.

Segundo dia

Nesta quarta-feira, último dia de curso, o alcoolismo será o tema central. Serão abordados sintomas, tratamentos, causas e as consequências psicológicas. Após o encerramento do I módulo, os participantes terão direito a certificado gratuito, com carga horária de 16h. Ainda não há data definida para os módulos II e III.

PDHC

Voltado aos direitos humanos das minorias como política pública, o Programa de Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia Legislativa (PDHC) abarca o Centro de Promoção às Vítimas de Tráfico de Pessoas (CPVTP); o Centro de Apoio à Pessoa com Deficiência (CAPD); Centro de Apoio e Assuntos Indígenas (CAAI) e o Centro de Incentivo às Mulheres na Política (CIMP).

Texto: Suellen Gurgel

SupCom ALERR 

Fotógrafo: Jader Souza

SALDO POSITIVO
Mais de 500 denúncias foram recebidas pelo ‘Programa Fiscaliza’ em 2021

Estradas e pontes precárias, esgoto a céu aberto, ruas esburacadas, falta de atendimento médico. Essas, entre outras reivindicações da população, foram atendidas pelo “Programa Fiscaliza” da Assembleia Legislativa de Roraima em 2021 e encaminhadas às autoridades competentes. Ao todo, foram 504 denúncias relacionadas à defesa do consumidor; 97 sobre infraestrutura urbana; 217 referentes a equipamentos e espaços públicos, e 190 pertinentes a serviços nas áreas de saúde, educação e segurança.

“Nós atendemos às reclamações com relação a todas as atividades desempenhadas pelo Poder Executivo. Somente no ano passado, tivemos mais de 500: de esgoto, questões de segurança pública, do Hospital da Criança, de bens públicos no interior que precisam ser reformados, dos direitos do consumidor que encaminhamos ao Procon Assembleia. Depois de recebidas [as denúncias], nossa equipe foi ao local verificar a situação, fez o relatório e acionamos os responsáveis”, esclareceu o superintendente de fiscalização, Gefster Chagas.

Para 2022, Chagas deseja dar mais publicidade ao programa junto à comunidade e que as demandas não solucionadas sejam incluídas na ordem do dia do ano legislativo, na forma de indicação ou emenda parlamentar.

“Este ano, pretendendo trabalhar com a informação para que cada cidadão, em todos os municípios de Roraima, consiga registrar suas reclamações no nosso site, no banco de dados, para que a gente possa catalogar, visitar, encaminhar para as comissões da Assembleia Legislativa, à Mesa Diretora, e que isso gere indicações, emendas e seja aplicado no orçamento do Estado”, acrescentou.

O Programa Fiscaliza recebe denúncias/reclamações via WhatsApp/Telegram (95) 98402-1735, pelo site (https://fiscalizarr.com.br/) ou no “Fiscaliza”, um aplicativo disponibilizado para download aos usuários da plataforma Android.

Texto: Suellen Gurgel

SupCom ALERR 

Foto: Jader Souza e Tiago Orihuela