Dois depoimentos chamaram atenção durante sessão especial voltada à valorização da vida e a prevenção do suicídio, realizada nesta terça-feira (17), na Assembleia Legislativa de Roraima. Enquanto a estudante Jhenne Morais contou sobre como superou a depressão, a técnica em enfermagem, Diane Ferreira, relatou a dor dos familiares de quem tirou a própria vida. A solenidade reuniu autoridades e palestrantes que abordaram temas como os sinais de alertas e como as redes sociais podem ter relação com a saúde mental.

Jhenne tentou tirar a própria vida aos 14 anos. Pouco a pouco, ela conseguiu se reerguer e hoje, com 17 anos, realiza palestras para levar informações sobre o assunto e incentivar a valorização da vida. “Eu acredito que se todas as pessoas tivessem conhecimento sobre a doença antes de passar por esse processo, elas saberiam lidar melhor”.

Já Diane perdeu um irmão e um tio na luta contra o suicídio. Durante o evento ela compartilhou os sentimentos de quem sofre com a perda de alguém próximo nessa situação. “A gente não consegue responder o porquê a pessoa se foi. As pessoas vêm para saber isso e eu digo que se havia um motivo, o meu irmão levou, o meu tio levou”, disse emocionada.

O evento foi requerido pela deputada Ione Pedroso (SD), e realizado em parceria com os deputados Catarina Guerra (SD) e Evangelista Siqueira (PT), que também lutam pela causa na Casa Legislativa. A autora da proposição explicou que ações de sensibilização sobre o tema também têm sido levadas ao interior do Estado. “É importante sensibilizar a sociedade sobre a valorização da vida e que sempre existe uma vírgula para a gente recomeçar. Queremos até o final do mês, conseguir levar informação a toda população”, ressaltou Ione Pedroso.

Estiveram presentes os deputados e deputadas, Coronel Chagas (PRTB), Aurelina Medeiros (Pode), Lenir Rodrigues (Cidadania), Betânia Almeida (Pv), Gabriel Picanço (Republicanos), Chico Mozart (Cidadania), Nilton Sindpol (Patri), Marcelo Cabral (MDB) e Jânio Xingu (PSB).

Sinais de Alerta

O psicólogo Wagner Costa palestrou sobre como identificar os sinais dados em casos de possíveis suicídios. Ele apontou que as pessoas tendem a transparecer a exaustão mental em frases como “eu preferia estar morto” ou “eu não aguento mais”.

Segundo ele, muitas pessoas buscam no suicídio a solução para o sofrimento. Por isso, é importante prevenir, oferecendo soluções e ajuda para esta pessoa enfrentar o problema apresentado.  “Uma estatística grave, 60% das pessoas que cometem suicídio nunca procuraram a ajuda de um profissional de saúde mental. Porém tem outra estatística interessante, 80% das pessoas que se matam, no mês que cometeram o suicídio, buscaram ajuda com alguém, mas o nosso grande problema é que não estamos dispostos a acolher o outro”, salientou o psicólogo.

Redes sociais

Na ocasião, o presidente da Comissão de Direito Médico da OAB/RR (Ordem dos Advogados do Brasil), Michel Nóbrega, trouxe informações sobre como as mídias sociais influenciam na saúde mental dos internautas. “Este também é um campo de enfrentamento, pois cria a falsa sensação de felicidade, e as pessoas veem aquilo como uma regra da realidade.”

Ao levantar a questão, ele pontuou que esse campo merece ser alvo de políticas de enfrentamento, como por exemplo, a difusão de informações positivas que se sobressaiam às negativas. O advogado frisou ainda a importância da denúncia em casos de postagens que, de alguma maneira, incentivem ou induzam ao suicídio

A tenente e psicóloga do Corpo de Bombeiros, Sandra Menezes, explicou sobre a abordagem humanizada que a equipe adota frente ao ato de suicídio. A programação ainda contou com uma apresentação musical do coral do Abrindo Caminhos e para interagir com um público, uma “Caixinha do Desabafo” passou entre os presentes para que eles pudessem expressar alguma situação que estejam passando.

Texto: Bárbara Araújo

Foto: Alex Paiva

SupCom ALE-RR