Grupo Girassol, da Unacon, recebeu palestra nesta segunda-feira (2); ação faz parte da programação dos 21 dias de ativismo pelo fim da violência contra a mulher

O CHAME (Centro Humanitário de Apoio à Mulher), da Assembleia Legislativa de Roraima, participou de uma roda de conversa a pedido do Grupo de Apoio Psicossocial para Mulheres Girassol, da Unacon (Unidade de Assistência em Alta Complexidade em Oncologia), nesta segunda-feira (2), como parte da programação dos 21 Dias de Ativismo Pelo Fim da Violência Contra a Mulher.

Neste encontro, as participantes foram envolvidas em um bate-papo sobre a atuação do CHAME no Estado, os tipos de violências definidos pela Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/06), empoderamento feminino e sobre quem procurar para pedir ajuda.

Entre as participantes estava Francisca Gonçalves, que integra o grupo Girassol há três anos. Mesmo ciente sobre os vários tipos de violência, ainda restava dúvidas quanto a identificação de violência psicológica e patrimonial, sanada em seguida pela equipe multidisciplinar do CHAME. “Muitas coisas eu guardava para mim, mas agora sei onde encontrar ajuda”.

Separada há oito anos, depois de 24 anos de casamento, a manicure Idnei Souza, relatou que dentro do relacionamento sofreu com a violência doméstica. “Mas eu fui atrás, criei coragem e denunciei”.  Para ela, o bate-papo foi essencial para esclarecimento de muitas dúvidas e fortalecer ainda mais as mulheres do grupo. “Eu já passei por muitas situações, já fui vítima. Muito importante as mulheres se alertarem, denunciarem” disse, ao parabenizar o CHAME pelo trabalho de conscientização.

Para enfrentar uma doença como o câncer, em qualquer estágio, é preciso ter apoio emocional. Mas quando a paciente vive em um ciclo de violência, esse enfrentamento se torna mais complicado e fragiliza ainda mais a saúde.

Conforme a psicóloga e coordenadora do Grupo Girassol, Nara Lisiane, o conhecimento é fundamental para fortalecimento da vida da mulher. “A violência é um fato estressante. A gente sabe o quanto o estresse é prejudicial na saúde em geral. Mas, em especial, se tratando de uma doença com um tratamento difícil, invasivo, longo e com procedimentos complicados”.

Outra situação contada por Nara é quanto aos abandonos dos companheiros quando a mulher recebe diagnóstico de câncer. “Não é raro as mulheres pacientes da oncologia dizerem que quando recebem o diagnóstico, o marido vai embora e quando ela precisa viajar para fazer o tratamento fora, não tem acompanhante”, lamentou.

O convite para este evento, contou a coordenadora do CHAME, Elizabete Brito, surgiu após a entrega dos lenços arrecadados na campanha Outubro Rosa. “Trouxemos a equipe multidisciplinar para tirar dúvidas, direitos das mulheres e um suporte para estas mulheres”.

A programação dos 21 dias de ativismo do CHAME continua até o dia 10 de dezembro. Nesta terça-feira (3), a equipe estará em Rorainópolis, na escola Estadual José de Alencar e na quarta-feira (4), na escola Estadual Castelo Branco, em Caracaraí. No dia 6 será a realizada a caminhada do Laço Branco – Os Homens pelo Fim da Violência contra as Mulheres.

Texto: Yasmin Guedes

Foto: Alfredo Maia

SupCom ALE-RR