Um passo de cada vez, para mostrar que é assim que se vence o machismo e a violência contra mulher. Foi dessa forma, com laços brancos na camisa, que dezenas de homens participaram da Caminhada do Laço Branco, promovida pela Procuradoria Especial da Mulher, na manhã desta sexta-feira (6).

Esta é a primeira vez que Roraima participa desta mobilização nacional que ocorre desde 2001. A campanha faz menção a um episódio ocorrido há 30 anos no Canadá, quando um grupo de mulheres foi assassinado por um homem que não aceitava a ideia de ter estudantes do sexo feminino no curso de Engenharia.

O servidor público Edivan Assunção, segurava uma das faixas levadas ao longo da caminhada. Ele explica que é preciso mostrar que os homens também estão lutando a favor das mulheres. “Vamos mostrar para Roraima que podemos fazer a diferença. Paz entre homens e mulheres é o mais importante”.

Quem atua diretamente com a ressocialização de homens agressores no Núcleo Reflexivo Reconstruir, é Andel Veras. Para ele, mudar o pensamento sobre a relação entre homens e mulheres é evoluir. “A gente vem conscientizar o homem que isso é do passado. Estamos em um novo século, uma nova cultura e precisamos ensinar os nossos filhos bons modos, e principalmente, como tratar as mulheres”.

Ver tantos homens envolvidos nesta causa é sinal de que as coisas podem, sim, ser mudadas, e para a melhor, ressaltou a coordenadora do Chame (Centro Humanitário de Apoio a Mulher), Elizabete Brito. “É a primeira caminhada que acontece no Estado, e é muito bom ver eles abraçando essa causa e mostrando para as mulheres que podem contar com eles nessa luta”. A instituição é ligada à Procuradoria Especial da Mulher e encabeçou a organização do evento.

Laço Branco

Em 6 de dezembro de 1989, um rapaz de 25 anos invadiu uma sala de aula da Escola Politécnica, na cidade de Monteral, Canadá, ordenando que os homens se retirassem, permanecendo somente 14 mulheres. Em seguida, ele atirou, assassinando-as à queima roupa e depois cometeu suicídio. O crime causou comoção e mobilizou a opinião pública.

Após isso, um grupo de homens do Canadá se organizou para mostrar que existem homens que repudiam essa atitude. Eles elegeram o laço branco como símbolo e adotaram como lema: “jamais cometer um ato violento contra as mulheres e não fechar os olhos frente a essa violência”.

Foi assim que se estabeleceu a primeira Campanha do Laço Branco: homens pelo fim da violência contra a mulher.  Então, o dia 6 de dezembro foi escolhido para que a morte daquelas mulheres não fosse esquecida.

Texto: Bárbara Araújo

Foto: Regys Albuquerque

SupCom ALE-RR