Para minimizar os casos de violência de gênero e familiar no Estado, o CHAME (Centro Humanitário de Apoio à Mulher) trabalha para informar e sensibilizar homens e mulheres. A implantação de dois novos projetos, “De Olho Nelas”, voltado para profissionais da Saúde, e “A Vida Pede Passagem”, focado no trabalho juntos aos militares, aparece para intensificar estas ações em Roraima.

Muitas vítimas vão às unidades de saúde em busca de cuidados médicos após uma agressão, mas muitas vezes as explicações sobre os ferimentos não coincidem com o ocorrido. Por isso, o projeto De Olho Nelas busca orientar profissionais desta área para identificar e registrar situações, mesmo que a vítima tente omitir a verdade. Dimensionar o número de casos contribui para pensar políticas públicas para combater a violência contra a mulher.

Outra novidade é o projeto A Vida Pede Passagem, que pretende alcançar os militares, uma vez que, profissionais do Chame, é grande o número de esposas desses profissionais que procuram atendimento no Chame. “É falar de violência doméstica para os homens, porque quem comete são eles. E nada melhor do que informar do que é uma violência psicológica, sexual, pois muitos cometem e não sabem de fato”, explicou a coordenadora do CHAME, Elizabete Brito.

A estratégia adotada pelo Chame é levar orientação às escolas, entidades religiosas, unidades de saúde e demais instituições públicas e privadas, para educar a sociedade sobre a necessidade de romper o ciclo da violência. Informar, é a maior ferramenta de prevenção, pontuou a coordenadora. “A informação hoje é a maior arma para a diminuição do índice de violência, porque uma mulher que sabe identificar se de fato está nesse ciclo, vai conseguir romper e sair dessa violência”.

Violência psicológica lidera estatísticas

A violência psicológica lidera o ranking de atendimento nas estatísticas do Chame. Em 2019, foram 264 casos. A violência moral e ameaça de morte resultaram em 182 e 122 registros, respectivamente. Mais de 90 ações educativas ocorreram em Boa Vista e em municípios do interior, incluindo comunidades indígenas.

No ano passado, a unidade realizou 830 atendimentos, 152 a menos em relação a 2018. Na avaliação da coordenadora, isso pode ser associado às ações educativas realizadas. “Essa queda se dá pelas informações levadas aos homens, a partir do momento em que sabe, não cometem mais”, destacou.

E se a violência já ocorreu?

Procurar ajuda é importante para romper o ciclo da violência. Caso a pessoa não queira se identificar ou deseje apenas tirar uma dúvida, as plantonistas do Zap Chame estão disponíveis 24 horas por dia, inclusive nos fins de semana e feriado. Basta mandar uma mensagem para o telefone 95 98402-0502. O número não recebe ligações.

Se a vítima busca um acolhimento e atendimento jurídico e psicológico, uma equipe multidisciplinar poderá atendê-la pessoalmente de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h, na rua Coronel Pinto, nº 524, no Centro de Boa Vista.

Texto: Bárbara Araújo

Foto: Alfredo Maia e H. Emiliano

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