Moradores de Pacaraima e regiões vizinhas tiveram voz na audiência pública sobre crise migratória e segurança pública, realizada no município na noite dessa sexta-feira (6) pela Comissão Especial Externa da Assembleia Legislativa de Roraima. As informações serão transformadas em um relatório que será entregue ao Governo do Estado e à bancada federal de Roraima em Brasília.

Insegurança, falta de estrutura para atender crianças e adolescentes na rede pública de ensino e para atendimento no Sistema Único de Saúde devido ao avanço da imigração venezuelana foram apontados pela população como os principais problemas na região. O representante de comunidade, Franco Martins, elencou estas e outras necessidades de Pacaraima. “A população anseia melhor estrutura para o município de Pacaraima, postos de saúde, mais segurança, melhorias nas escolas”. Ele pontuou que desde o agravamento da crise no país vizinho, a rotina dos moradores foi alterada e não é mais seguro transitar pelas ruas da sede.

Ainda segundo Martins, os moradores não são contra o atendimento aos imigrantes, mas não são favoráveis a maneira como isso tem ocorrido, principalmente com a instalação da Operação Acolhida. O ideal, segundo ele, era o compartilhamento, por parte do Exército, de materiais de Saúde, como profissionais, remédios e vacinas, acolhimento dos imigrantes no setor de saúde dos abrigos e a instalação de abrigos fora da sede, na área dentro da Venezuela.

“O que nós queremos é que olhem com atenção, não só a Assembleia Legislativa de Roraima, mas que olhe de verdade, a nossa bancada dos nossos senadores, atenção”, pediu o representante da comunidade.

O tuxaua Jesus de Almeida, da Comunidade Indígena Sorocaima II, se emocionou ao falar de um drama vivido na família. A filha foi diagnosticada com tuberculose e está em isolamento no Hospital das Clínicas em Boa Vista. Ele atribui à falta de controle na fronteira e alertou para uma possível barreira contra os imigrantes nas comunidades indígenas. “Porque nem todos [os imigrantes] passam pelo exército aqui, muitos desviam e é onde passam as doenças para o nosso Estado”.

O presidente da Comissão Especial Externa, deputado Jânio Xingu (PSB), falou que diante das informações dos moradores, um relatório será encaminhado para o governador Antônio Denário (sem partido) e para bancada federal de Roraima em Brasília. O próximo passo será uma audiência entre o chefe do Poder Executivo, o prefeito de Pacaraima, Juliano Torquato (PSB) e representantes da população para encontrarem a solução destes problemas. “Vamos levar as principais demandas de competência do Estado”.

O prefeito de Pacaraima acredita que este documento será fundamental para embasar os pedidos da população e espera uma resposta do Governo Federal quanto aos pedidos de ajuda para região, pois os imigrantes têm usado toda estrutura do município muito mais do que na Operação Acolhida, do Exército Brasileiro. “As forças terão que se unir para atender o povo deste Estado, deste Município”.

Parlamentares focarão em soluções para crise imigratória em Pacaraima

Os deputados Renato Silva (Republicanos) e Angela Águida Portella (PP) participaram da audiência pública realizada na noite desta sexta-feira (6), e falaram da ajuda para enfrentar a crise imigratória venezuelana naquela região.

Renato Silva, por exemplo, lembrou que em 2019 foi autor de uma emenda parlamentar com destino de R$ 1,4 milhão para construção de uma delegacia de polícia e em 2020 continuará a destinar recursos para Pacaraima. “Temos que fazer umas demandas para resolver no âmbito estadual como a questão da Polícia Civil, da Polícia Militar que está sem estrutura, e vamos cobrar do governador para que ele olhe pra Pacaraima com mais carinho”.

Angela Águida Portella vai sugerir que o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) inclua na contagem população os imigrantes, para ajudar a aumentar o repasse do FPE (Fundo de Participação dos Estados). “O dinheiro é contado só para o número de brasileiros, não leva em consideração os imigrantes e o número populacional mais que dobrou”.

Comissão

Criada no início de fevereiro de 2020 pelo presidente da Assembleia Legislativa, deputado Jalser Renier (SD), após um protesto na fronteira terminar em confusão entre brasileiros e as polícias Rodoviária Federal e Força Nacional devido a um estupro contra uma adolescente brasileira, os parlamentares analisarão a crise imigratória e as responsabilidades do caso.

São membros os deputados: Janio Xingu, Angela Águida Portella, Renato Silva, Tayla Peres (PRTB), Chico Mozart (Cidadania) e Marcelo Cabral (MDB).

Texto: Yasmin Guedes
Foto: H. Emiliano
SupCom ALE-RR