O crescimento do acesso de crianças e adolescentes à internet levanta alertas em todo o mundo, principalmente pelos riscos escondidos por trás das telas. A Agência de Inteligência Europeia (Europol) apontou aumento de 25% nos crimes virtuais cometidos contra este público específico desde o início da pandemia pelo coronavírus (covid-19).

Para não correr este risco, a empreendedora Daniela Borba fica atenta ao que os filhos Miguel e Isadora, de 6 e 2 anos, respectivamente, acompanham pela internet. “Estou atenta com os ouvidos a tudo que eles escutam e estipulo o que podem assistir, os canais, desenhos”. Ela explica que no momento do acesso ao site de vídeos Youtube, por exemplo, tudo é visto de perto.

Neste período, com as escolas fechadas, as crianças estão em casa. Quem tem acesso à internet, seja por computadores, tablets e aparelhos celulares passam a ter mais tempo frente a rede virtual. Criminosos podem aproveitar para se passarem por amigos virtuais e assim, cometer crimes.

Além dos canais de desenho, Daniela procura acompanhar as pesquisas do pequeno Miguel pela internet. “Já aconteceu de ele escolher o canal de um youtuber que eu não achei adequado. Eu sentei, expliquei o porquê de não achar adequado, assistimos e ele mesmo não achou legal as atitudes do youtuber”, contou.

Dicas

A psicóloga do programa Abrindo Caminhos, da Assembleia Legislativa de Roraima, Adria Almeida, orienta os pais ou responsáveis a redobrarem a atenção ao que as crianças e adolescentes assistem e aos tipos de interação que elas estão tendo pela internet. “Vamos ficar ligados nesse assunto e proteger as nossas crianças. É incrível o ciclo de artimanhas que esses pedófilos usam”, alertou.

Para colaborar na prevenção de possíveis casos de pedofilia neste período de pandemia, a especialista dá seguintes dicas:

·         Diálogo: Pais e mães devem manter um diálogo saudável e mostrar os perigos da internet, e ser claros sobre o que crianças e adolescentes podem ou não acessar e as consequências.

·         Informações pessoas: orientar para o não compartilhamento de fotos, nome completo, endereço ou informações sobre escola, rotina.

·         Desconforto: Os pais devem dar abertura para que crianças e adolescentes contem a eles ou a outro adulto de confiança se receberem qualquer conteúdo constrangedor, como fotos por exemplo. “Os pais devem se colocar como agentes de proteção, ajudar e não punir”, esclarece Adria. Segundo ela, muitos crimes duram muito tempo devido ao medo/receio de possíveis punições por parte dos pais.

·         Mudança de comportamento: De acordo com a psicóloga, um dos primeiros sinais de que a criança está sofrendo algum tipo de abuso é a mudança no comportamento. “Algumas crianças ficam mais agitadas, ansiosas, chorosas ou mais tristes, passam a ter problemas no sono, no apetite”, alerta Adria.

·         Vasculhe: Procure conhecer os sites acessados por eles, perfis de contato e assuntos conversados. Ela conta que há aplicativos disponíveis para auxiliar no rastreamento e bloqueio de conteúdo, mesmo à distância. “O importante é dizer o motivo do aplicativo, não para invadir privacidade, mas sim proteger”.

·         Tempo: regular o uso da internet. Para crianças, máximo de 2 horas por dia.

Texto: Yasmin Guedes

Foto: Jader Souza

SupCom ALE-RR