Em uma live promovida na noite desta quarta-feira (27) pela Assembleia Legislativa, duas psicólogas orientaram sobre os cuidados que os pais devem ter com as crianças no período de isolamento social. Uma das dicas dadas foi limitar o acesso de crianças à internet a um período de, no máximo, uma hora por dia.

A discussão, transmitida pela TV Assembleia e redes sociais do Poder Legislativo, foi mediada pela psicóloga do programa Abrindo Caminhos, Adria Almeida, com a participação da psicóloga Mariana Pessoa, especialista em infância e adolescência.

Segundo elas, tem sido cada vez mais comum os pais proporcionarem a seus filhos o contato com os aparelhos tecnológicos. O problema é que essa prática tem sido muito precoce e atinge crianças com poucos anos de idade. “Nos dois primeiros anos de vida, a criança precisa se apropriar do mundo que lhe cerca, e a tecnologia nesse momento pode trazer problemas para a criança”, esclareceu a psicóloga Mariana Pessoa.

Segundo a psicóloga, o uso de smartphones, tablets, notebooks deve ser limitado. “De dois a cinco anos de idade é legal que essas crianças utilizem a internet no máximo uma hora, que pode ser quando a mãe vai fazer alguma tarefa doméstica, e pode deixar seu filho ali vendo alguma coisa educativa”, indicou Mariana.

Na opinião da psicóloga, Adria Almeida, crianças que ficam muito tempo na internet podem apresentar problemas como solidão, depressão, ansiedade e baixa autoestima, além de agressividade.  “A relação é altamente prejudicial para aqueles que passam mais de 4 horas por dia”, afirmou.

Monitoramento

Os adultos devem ficar atentos ao que está sendo utilizado pelas crianças e adolescentes. “Não é recomendável presentear a criança com um celular antes dos 12 anos, pois essa criança, ou esse adolescente, não tem maturidade para fazer uso dessa tecnologia sozinho”, Mariana.

O que os pais precisam saber é que igual ao mundo real, no virtual também existem perigos para a criançada. “Muitas vezes os pais não acompanham o que os filhos estão fazendo, um dos principais perigos é essa criança acessar conteúdos inadequados”, explicou Mariana.

Nos últimos anos, o crime de pedofilia tem avançado junto com a internet. Os pedófilos aproveitam-se e criam perfis falsos em redes sociais, utilizam-se de linguagem de fácil entendimento para conseguirem a confiança das crianças e adolescentes.

“Como estratégia para atrair as crianças e adolescente, muitos utilizam uma linguagem descontraída, oferece presentes, brinquedos, a criança como não tem discernimento para saber que aquilo é errado, muitas vezes cai sem os pais perceberem”, disse Adria.

Alternativas

Com o isolamento social, as crianças estão passando mais tempo em casa, é importante que os pais ofereçam atividades fora da tela do celular, como atividades esportivas em casa, brincadeiras como, amarelinha, balão de água, jogo da velha.

“Os pais podem ser criativos. Agora é um período complicado para as crianças, muitas não entendem o porquê de ter que ficar tanto tempo em casa. Tenha paciência, crie atrativos educativos para seu filho”, disse Mariana.

Segundo a psicóloga Adria Almeida, as crianças e adolescentes precisam conhecer a vida real para depois partir para o uso das tecnologias. “O que vemos hoje são crianças e adolescentes pulando etapas. Nos primeiros anos de vida é preciso que essa pessoa que está se desenvolvendo descubra sobre o mundo que o cerca, sobre a importância do contato presencial, olho no olho, carinho, tudo isso contribui para o desenvolvimento mas humano da criança e do adolescente”, finalizou.

Texto: Ana Lucia Montel

Foto: Reprodução – TV Assembleia

SupCom ALE-RR