Um cirurgião dentista buco-maxilar facial depôs na CPI da Saúde (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Assembleia Legislativa de Roraima nesta quarta-feira (5) e rebateu acusações de que angariaria pacientes atendidos inicialmente no sistema público de saúde para clínica particular.

As denúncias foram feitas em oitiva realizada na semana passada, quando duas cirurgiãs dentistas falaram sobre um possível esquema dentro da coordenadoria do setor e de que colegas se beneficiariam da suposta falta de material para cobrar por procedimentos em suas clínicas particulares.

A testemunha admitiu que recebia pacientes do HGR (Hospital Geral de Roraima) na clínica particular e disse que nos 15 anos de atuação no Estado realizou quatro procedimentos cirúrgicos com determinação judicial. O cirurgião dentista apresentou um relatório com mais de 300 páginas sobre a situação do setor de buco-maxilo no Estado. Este documento, segundo o relator Jorge Everton (MDB), servirá para nortear as próximas oitivas do segmento.

Ele apresentou fotos das próteses de bucomaxilo facial utilizadas pelo Estado. Segundo contou, vários procedimentos não foram realizados porque não há o fornecimento das próteses.

Outro caso abordado na oitiva foi sobre o atendimento ao paciente Edinaldo Rodrigues, de 54 anos, que há cinco anos aguarda cirurgia após sofrer acidente com arma de fogo há 17. Segundo denúncia apresentada a CPI, o cirurgião orçou a mão de obra do procedimento em R$ 51 mil, enquanto uma nota técnica apresentada pelo Tribunal de Justiça indicava o valor de aproximadamente R$ 15 mil. “O que tem no tratamento é a prótese e a reabilitação. A prótese estendida exige estabilidade de mordida”, explicou. “O que foi orçado pela nota técnica é uma outra prótese de marca desconhecida, não é a que eu uso”, justificou.

O depoente falou ainda sobre uma possível perseguição dentro da coordenação com os servidores efetivos da Saúde. “O intuito é manter os concursados afastados das atividades do HGR”. Ele citou que há uma portaria publicada no Diário Oficial de dezembro de 2019 que regulamenta o serviço da cooperativa para, na ausência do servidor concursado, a empresa atender as demandas.

Contou que em setembro de 2019 ele e outros profissionais do setor foram transferidos do HGR para o CEO (Centro Especializado de Odontologia) sem justificativa e diz que houve um pedido de retorno negado pela Sesau (Secretaria Estadual de Saúde). “Por que a vontade de voltar ao HGR?”, indagou o relator da CPI da Saúde, deputado Jorge Everton. “Nunca tive advertência, sempre fui reconhecido e abruptamente fui remanejado. No CEO era um paciente por semana e no HGR eram dois por dia”, disse a testemunha.

Toda a documentação e o depoimento serão analisados pelos membros da CPI da Saúde. “O objetivo é passar a Saúde a limpo e o que ficou claro é que esses imbróglios de hoje é porque a Sesau não adquire os materiais necessários para que os profissionais tenham esses materiais a disposição para realização das cirurgias nos pacientes”, lamentou Nilton Sindpol (Patri).

Devido apresentação do relatório por parte do cirurgião dentista, as oitivas previstas para esta quinta e sexta-feira foram transferidas para a próxima semana. “Para que eu possa avaliar essa documentação nova e eu possa aumentar o rol de perguntas nas próximas oitivas”, justificou o relator, Jorge Everton.

A oitiva foi conduzida pelo presidente da CPI da Saúde, deputado Coronel Chagas (PRTB), acompanhado dos deputados Jorge Everton, Éder Lourinho (PTC), Nilton Sindpol, Chico Mozart (Cidadania), Renato Silva (Republicanos) e pela deputada Lenir Rodrigues (Cidadania).

 

Texto: Yasmin Guedes 

Foto: Jader Souza 

SupCom ALE-RR