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DIA DO MÚSICO
Músicos militares contam as alegrias de exercer duas profissões

Nesta terça-feira (22), celebra-se o Dia do Músico Estadual Militar, instituído pela Lei nº 1.269/2018, de autoria do deputado Soldado Sampaio (Republicanos) e do ex-deputado Oleno Matos. A data faz parte do calendário oficial de eventos do Estado.

A lei também instituiu como patrimônio cultural imaterial de Roraima a Banda de Música da Polícia Militar. A data escolhida tem relação com o dia da padroeira dos músicos, Santa Cecília. Soldado Sampaio destaca que a instituição militar é patrimônio do povo e que homenagear os músicos militares com um dia especial dedicado à profissão é uma forma de agradecer àqueles que embelezam os eventos com os mais variados acordes.

“Quero parabenizar a todos os músicos militares do Estado e neste momento não tem como não fazer referência à Banda da Polícia Militar de Roraima, parceira desta Casa, que por diversas vezes se fez presente em nossos eventos nos brindando com sua arte e com música da  melhor qualidade”, afirmou o presidente.

 

 

O comandante da Banda de Música, major Sidney Gomes, contou que anualmente são cerca de 200 apresentações e que todos os municípios roraimenses são agraciados com a presença do grupo.

“Vamos aonde nos chamam. Agora, estamos ensaiando com um repertório bem eclético, com música erudita e sertaneja, para a solenidade de aniversário da Polícia Militar de Roraima [PMRR], que vai completar 47 anos em 26 de novembro”, lembrou.

 

 

A profissão de músico é sempre exaltada por aqueles que fazem parte do segmento. “Existe uma frase que diz que ‘quando se faz o que gosta, não se trabalha’. Então, para mim é um prazer ser músico e policial militar. Sou PM por ser músico, porque fiz um concurso específico para isso. É prazeroso fazer o que gosto, assim como amo a instituição a que sirvo”, disse.

Para o major, a Banda de Música ser patrimônio cultural imaterial é um grande avanço. “Isso é materialidade. A lei tornou a gente um patrimônio cultural do Estado, o que é uma segurança”, avaliou.

 

O primeiro-tenente Fredson Amorim Ferraz, que toca saxofone barítono, veio de Rondônia para participar de um intercâmbio musical em razão das comemorações do aniversário da PMRR.  “Em setembro, eles participaram do nosso evento comemorativo dos 78 anos da nossa Banda de Música. É a primeira vez aqui no Estado e estou muito feliz pela oportunidade”, disse.

 

 

A história dele com a música tem a ver com “renascimento”. Durante uma operação policial em 2020, ele foi alvejado com um tiro de fuzil 556, que furou as duas placas do colete e fez um verdadeiro estrago no abdômen, resultando na perda de seis metros do intestino.

Ferraz passou por três cirurgias, duas infecções generalizadas, permanecendo por 17 dias na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI).

“A música para mim é vida. Fiquei à beira da morte e voltei. Quando saí do coma induzido, lembrei dos meus instrumentos. Fiquei extremamente preocupado porque achei que não iria mais tocar. Ao me levarem para o quarto, a primeira coisa que pedi foi meu sax, mas não consegui tocar porque estava fraco. Porém, toquei a flauta doce. Fico emocionado ao falar porque ela me motivou, me deu força para voltar à vida. Tive derrame pleural, e a flauta me ajudou. O médico disse que se não tivesse feito exercício com o instrumento e as outras fisioterapias, ele teria colocado um dreno no meu pulmão. Mas eu precisava do meu pulmão para viver, para tocar a minha música. Tenha certeza, a música é divina e traz cura porque Deus é o dono da música”, contou emocionado, ao salientar que as duas profissões que exerce, militar e músico, são sacerdócios e exigem dedicação.

A relação de Lucas Sanches com a música vem de berço. Policial militar da Banda de Música da PM de Rondônia, ele nasceu numa família de músicos e aos 12 anos já sabia tocar, de ouvido, alguns instrumentos.

“A música faz parte do meu sangue, da minha criação. Ela conforta o espírito e sempre a utilizei como um instrumento para me trazer e levar conforto, acalmar a alma, os pensamentos. Quando se está com a cabeça pesada, ela serve para descarregar, aliviar espiritualmente, tem esse poder. A minha vida é pautada na música”, disse o soldado, que se casou com uma musicista.

 

A vida se tornou completa quando entrou na Polícia Militar e passou a ser um dos integrantes da Banda de Música. “Tentei algumas vezes ser músico temporário, mas não deu certo. Ser músico militar é uma complementação do que sempre gostei porque juntou a minha vontade de ser militar e a música. Consegui unir as duas grandes paixões da minha vida, dentro de um local de trabalho.”

O policial militar Kleilton Alexandre, segundo-sargento da PMRR, começou a tocar na adolescência, e quando completou a maioridade ingressou numa banda profissional. Há dez anos, ele está na Banda de Música, realizando um sonho de infância.

“A música para mim é muito relevante, principalmente por ter um dia, que é 22 novembro, dedicado aos músicos militares. Participar de uma banda de música é muito importante porque nós, para a sociedade, fazemos com que o mundo não seja cinzento. Levamos alegria através da melodia e dos sons”, ressaltou o músico, que toca saxofone, flauta e teclado.

 

 

 

Padroeira

Cecília era uma jovem romana, que nasceu no século III e foi prometida em casamento ao jovem Valeriano. Na noite das núpcias, confessou ao noivo que havia consagrado a pureza a Jesus Cristo e que um anjo guardava sua virgindade.

Valeriano, que era ateu, pediu para ver o anjo, o que posteriormente aconteceu e o fez se tornar cristão. Juntos, passaram a professar a fé cristã, mas foram perseguidos e Cecília foi presa com o marido e seu cunhado. Julgados, se recusaram a renegar a fé.

Cecília foi levada para uma câmara com ar quente para ser asfixiada. Durante três dias e três noites, ela entoou cantos de louvor a Deus. Então, resolveram degolá-la. Por três vezes, o algoz falhou e ela foi deixada agonizando, já que pela lei romana só se permitia esse número de tentativas.

A jovem perdeu as cordas vocais e levou um tempo para morrer, mas seus cânticos ainda podiam ser ouvidos. Muitos anos depois, constatou-se que o corpo dela não tinha se corrompido. Por esse motivo, ela recebeu o título de padroeira dos músicos, e, no ano de 323, foi criada uma basílica na cidade italiana de Trastevere, onde teria sido a casa de Cecília, que foi canonizada.

Oração

“Ó, gloriosa Santa Cecília, espelho de pureza e modelo de esposa cristã. Revesti-nos de inviolável confiança na misericórdia de Deus, pelos merecimentos infinitos de Nosso Senhor Jesus Cristo. Dilatai o nosso coração, para que, abrasados do amor de Deus, não nos desviemos jamais da salvação eterna.”

Texto: Marilena Freitas

Foto: Eduardo Andrade/ Jader Souza/ Marley Lima

SupCom ALE-RR

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