Entre os direitos assegurados estão serviços gratuitos de castração, microchipagem e atendimento veterinário básico
No mês de outubro, celebram-se a Semana de Conscientização e Proteção dos Direitos dos Animais e o Dia da Adoção Animal, instituídos, respectivamente, pelas Leis nº 1.053/2016 e nº 1.753/2021. Ambas as normas têm como objetivo sensibilizar os diversos segmentos da sociedade para a importância da proteção dos animais, evitando que sejam submetidos a maus-tratos ou crueldade.
Outras matérias aprovadas na Assembleia Legislativa de Roraima (ALERR) tratam dos direitos dos animais. Uma delas implementou o Programa de Bem-Estar Animal, projeto pioneiro no Estado, efetivado em fevereiro de 2025. A iniciativa oferece serviços gratuitos de castração, microchipagem e atendimento veterinário básico para cães e gatos de tutores e protetores, especialmente aqueles em situação de vulnerabilidade, contribuindo para o controle populacional de animais.

Até o momento, foram realizados mais de 16 mil atendimentos gratuitos. Desse total, 10.337 correspondem a castrações e microchipagem (identificação eletrônica dos animais), além de consultas, orientações e exames de sangue para verificar se os pets estão aptos e podem ser submetidos ao procedimento cirúrgico.
“Contamos com centro cirúrgico próprio, estrutura moderna e uma equipe de profissionais qualificados para atender os pets com conforto e segurança, oferecendo um atendimento especializado e um ambiente acolhedor, pensados para garantir o bem-estar dos animais em cada etapa”, afirma a diretora, Kátia Fraxe.
Cuidados essenciais na hora de adotar um pet
Ao adotar um cachorro ou gato, o tutor deve considerar alguns cuidados importantes para garantir o bem-estar do animal e avaliar se está preparado para assumir essa responsabilidade. Segundo a médica-veterinária do programa, Thalyne Thomé, a disponibilidade de tempo e as condições financeiras estão entre os principais aspectos a serem considerados.

“O pet vai precisar tomar as vacinas, realizar as consulta e exames, tomar medicamentos, ele demanda cuidados especiais, uma boa alimentação, e tudo isso a gente tem que organizar, não é simplesmente pegar o bichinho e deixá-lo na varanda de casa ou no quintal, sem nenhum tipo de atenção”, orienta.
Ela também ressalta que é importante buscar informações sobre a saúde e o histórico do animal de estimação. “O tutor deve saber se o pet é vacinado, se já teve alguma doença, qual é a idade e quais cuidados serão necessários para garantir a qualidade de vida do animal. No caso de filhotes, por exemplo, é necessário seguir o protocolo de vacinação e observar a idade adequada para a castração”, orienta.
O procedimento contribui para a prevenção de doenças, como câncer de mama, piometra (infecção bacteriana grave uterina em fêmeas não castradas), câncer de próstata, entre outras enfermidades, bem como para o controle da natalidade e o abandono.
“A castração também pode contribuir para uma maior expectativa de vida. Já no caso de pets adultos ou idosos, é importante verificar se o protocolo vacinal está atualizado, se o animal já foi castrado e se possui histórico de doenças. Essas informações ajudam o tutor a adaptar a rotina às necessidades do pet”, completa.
Como funciona o programa Bem-Estar Animal
Os serviços do Programa de Bem-Estar Animal são oferecidos na sede, localizada na Avenida Mário Homem de Melo, nº 191, Centro. O atendimento ocorre de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 17h, com regras específicas para a recepção e a liberação dos animais após os procedimentos cirúrgicos.
Para agendamento presencial, é necessário documento oficial com foto do tutor, comprovante de residência e dados do animal. Para mais informações, basta enviar mensagem para o número (95) 99163-2158.
Protetora mantém 40 cães sob cuidados em Boa Vista
Cuidar de dezenas de animais resgatados exige dedicação, recursos financeiros e, principalmente, disposição para enfrentar uma rotina marcada por desafios. A protetora independente de animais, Rayka Almeida, e a irmã, mantêm, atualmente, cerca de 40 cães sob seus cuidados, divididos entre a casa onde moram, e uma residência de apoio alugada.
A ligação com a causa animal começou há quatro anos, após Rayka ajudar uma cachorra de rua que havia dado à luz. Inicialmente, a intenção com os pets era oferecer atendimento, castrar, vacinar e encaminhá-los para adoção. Com o tempo, porém, a realidade encontrada nos resgates mostrou que o problema era maior do que elas imaginavam.

Atualmente, 23 animais permanecem na casa alugada e os outros estão na residência das protetoras, em um terreno de uma amiga e em lares temporários. Segundo Rayka, parte dos animais já passou por processos de adoção, mas acabou sendo devolvida. “Muitos já foram devolvidos e nós aceitamos de volta porque não vamos deixá-los na rua”, explica.
Para a protetora, a adoção precisa ser encarada como um compromisso a longo prazo. Ela ressalta que levar um animal para casa envolve custos com alimentação, vacinação, medicamentos e outros cuidados necessários ao longo da vida. “A adoção é algo sério e responsável. O animalzinho vai precisar de todo o suporte. Se você não tem condições de adotar, então não adote. É melhor não levar para casa, do que deixar o animal preso ou em situação de sofrimento. Exige amor e dedicação”, destaca.
A dificuldade de encontrar novos lares é ainda maior quando se trata de animais adultos, que carregam marcas de abandono e maus-tratos. Já os filhotes, segundo Rayka, costumam ser adotados com mais facilidade. “É uma causa que realmente requer muita dedicação e amor, porque a gente vê o sofrimento da maioria deles”, reforça.
Para quem não pode adotar, a protetora destaca que existem outras maneiras de contribuir com a causa animal, como apadrinhamento e apoio aos projetos de proteção. “Se você pode, mas não quer adotar, pode contribuir, apoiar uma causa animal ou apadrinhar um bichinho. Existem várias formas de ajudar”, sugere.
Por fim, Rayka relata que a convivência com os animais também provocou mudanças na vida da família. Alguns dos primeiros animais resgatados acabaram ficando com as protetoras após tentativas frustradas de adoção. Hoje, cerca de dez animais vivem com elas. A experiência aumentou a empatia e mudou a maneira como elas passaram a enxergar os animais abandonados.
“É uma mudança em todos os sentidos. A gente fica mais empático. Você passa na rua e já não olha mais, porque chega uma hora em que não há mais condições. A gente também precisa reconhecer os nossos limites”, concluiu.
Texto: Suzanne Oliveira
Fotos: Jader Souza / Nonato Sousa / Eduardo Andrade/ Marley Lima
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