Há dois anos, o Núcleo Reflexivo Reconstruir, que faz parte da Procuradoria Especial da Mulher da Assembleia Legislativa, trabalha a ressocialização do agressor para interromper o ciclo de violência e proteger futuras vítimas. Semanalmente são realizados encontros em grupo e individuais com esses homens que ocorrem geralmente às quartas-feiras das 9h às 11h.

Neste dia 17, a equipe aproveitou o momento para trazer uma temática diferente à roda: a Saúde do Homem. Em alusão ao Dia do Homem, celebrado na última segunda-feira (15), foram convidados médicos, dentistas e enfermeiros, para falar sobre doenças como, câncer e pressão alta, além da saúde bucal e alimentar.

Ao longo do acompanhamento realizado pelo Núcleo, os atendidos passam por 14 ciclos, momento em que são abordados temas como: Feminicídio, Lei Maria da Penha, relacionamento com a família e questões ligadas a personalidade do individuo. A conversa é guiada por uma equipe multiprofissional compostas por psicólogos, assistentes sociais e advogados. “Eles chegam com ideias vagas, achando que podem fazer tais coisas, pois não serão punidos. A partir do momento em que a gente explana esses temas eles começam a ter uma percepção diferente”, explicou o coordenador em exercício do Núcleo, Andel Veras.

W.A., 30 anos, não conhecia o trabalho realizado pelo núcleo.  Depois de agredir a ex-esposa pela primeira vez, há dois meses ele passou a frequentar as rodas de conversa, o que para ele, tem sido esclarecedor. “Nunca é tarde para aprender. Tem coisas que passam despercebidas pelo dia a dia e não paramos para pensar. Quando estamos em situações em que estamos em nosso limite, precisamos pensar para não tomar uma atitude prejudicial”. Ele é um dos 17 homens que fazem parte do grupo. Além das rodas de conversa, por dias, são realizados cerca de 20 atendimentos. O coordenador do trabalho ressalta os resultados. “Muitos deles estão conseguindo voltar pra família através das reuniões. Eles tomam consciência que as atitudes deles devem ser pensadas.”

Andel Veras explica que antes, as mulheres eram atendidas pelo Chame (Centro Humanitário de Apoio à Mulher), no entanto, não era realizado um trabalho efetivo com os agressores. Elas passavam por tratamento psicológico, pois muitas vezes, ficavam abaladas, mas os homens continuavam com as atitudes agressivas. “O núcleo foi pensado para trazer o agressor para socialização, e por meio disso, fazer com que ele entenda que a atitude dele é errada”.

Os encaminhamentos destas pessoas ao Núcleo são feitas pelo Chame ou pela Vepema (Vara de Penas e Medidas Alternativas) do Tribunal de Justiça de Roraima. Mas atualmente, Andel Veras explicou que abrigos tem se tornado parceiros e encaminhado casos para a unidade também. Existem ainda aqueles que procuram o programa de forma espontânea.

Texto: Bárbara Araújo

Foto: Eduardo Andrade

SupCom ALE-RR