Muitos saem da comunidade para poderem estudar, e no programa da Assembleia Legislativa têm a possibilidade de fazer cursos gratuitos de qualificação e idiomas

Nesta sexta-feira (9) comemora-se o Dia Nacional dos Povos Indígenas, com a proposta de alertar sobre os direitos desta população. Uma das principais demandas é o direito à educação de qualidade e uma das contribuições do Poder Legislativo ocorre por meio da Escola do Legislativo Curso Preparatórios, Unidade Silvio Botelho, onde jovens indígenas têm acesso a cursos de qualificação e idiomas.

O jovem macuxi Jairon Bezerra, de 21 anos, está 315 quilômetros longe de casa. Há seis meses ele morava na comunidade indígena Enseada, no município de Uiramutã, mas o anseio de estudar, para ter mais oportunidade no mercado de trabalho, o motivou a morar na Capital com o irmão.

O irmão lhe apresentou a Escola do Legislativo e Jairon gostou do lugar de primeira, tanto que hoje está matriculado nas aulas de francês, redação, Linguagem Brasileira de Sinais (Libras) e inglês. Mesmo com saudade dos pais e dos outros irmãos, a determinação de focar nos estudos é maior. “Daqui para a frente, vou aprender ainda mais, e pretendo voltar com essa bagagem. Tenho orgulho em representar a nossa cultura nesse momento, na verdade, precisamos levar a nossa identidade”, disse.

Rafaela Oliveira Guariba, de 23 anos, veio da comunidade indígena Júlia, localizada em Normandia. Ela explica que está estudando na Escola do Legislativo para enriquecer o currículo, o que vai lhe ajudar a conseguir uma vaga de emprego. A jovem já fez o curso de atendimento ao público, e agora está nas aulas de relações interpessoais e informática. “Aqui tenho mais oportunidade do que no Interior. Gostei e quero estudar mais. Não quero o conhecimento só para mim, quero compartilhar com as outras pessoas”, falou.

Rodrigo Pena de 16 anos, possui é neto de indígenas da comunidade São Francisco, em Bonfim. Para ele, o Poder Legislativo incentiva a população indígena no acesso à educação, um exemplo de inclusão social. O adolescente está aprendendo Libras há um mês na unidade, pois deseja se comunicar com pessoas com deficiência auditiva e mudos. “Tenho interesse em me comunicar com outras pessoas. Já estou até ensinando meus irmãos”, disse.

Dificuldades 

A diretora da unidade, Cristina Mello, explica que muitos indígenas vêm para a capital em busca de cursos de qualificação, porém, a falta de recursos financeiros para pagar um curso, impedem que eles se capacitem e é nesse momento a Escola assegura o direito à educação.

“Assembleia Legislativa de Roraima, por meio da Escola do Legislativo, vem para atender a necessidade da população indígena, principalmente na área da educação em proporcionando cursos e também incentivando”, explicou.

Poder Legislativo facilita diálogo com povos indígenas

Outra forma de inclusão é dar voz aos povos indígenas, uma das prioridades da Comissão de Políticas Indigenistas da Assembleia Legislativa de Roraima. O objetivo da comissão é fortalecer o diálogo com os representantes indígenas e buscar soluções conjuntas.

Um exemplo da mediação do Poder Legislativo entre lideranças indígenas e autoridades foi o retorno das aulas nas comunidades indígenas, após a realização de uma audiência pública na Assembleia Legislativa no mês de abril. As aulas estavam paradas desde o ano passado.

A presidente da comissão, deputada Lenir Rodrigues (Cidadania), explica que a educação é um dos principais anseios dos indígenas. “A Casa Legislativa é um suporte para essa população e o nosso papel é ouvir e lutar. É importante dar voz não só aos povos indígenas, mas todas as classes, que por sua condição étnica tenha alguma vulnerabilidade ou dificuldade na efetivação de seus direitos”, explicou.

 

Texto: Vanessa Brito

Foto: Alex Paiva

SupCom ALE-RR