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Leis estaduais reforçam o Dia Mundial de Combate ao Fumo

Tudo começou com uma brincadeira em família. Sara Lima, cabeleireira e maquiadora, acendia os cigarros da irmã mais velha esporadicamente e com o passar do tempo, a brincadeira foi se tornando um hábito. A precocidade da exposição ao uso do tabaco era normal na rotina da família.

“Sou de uma família de fumantes e aos 12 anos eu provei pela primeira vez, atendendo um pedido da irmã mais velha que sempre pedia para acender o cigarro dela. Praticamente todos da minha família fumavam muito cedo. A gente achava muito normal, eu acendia o cigarro e achava o máximo. Com o tempo, comecei a trabalhar e a comprar meu próprio fumo. Achava lindo ver uma mulher fumando”, relembra.

Sara fumou até os 46 anos, entre recaídas e sempre na busca de manter o autocontrole. Há 10 anos, a maquiadora ainda sente vontade de fumar, mas resiste.

Todos os anos, oito milhões de pessoas morrem por causa do tabaco. O uso excessivo é responsável por 25% de todas as mortes por câncer no mundo. Os números da Organização Mundial de Saúde (OMS) são impressionantes. São tão preocupantes que a OMS criou o Dia Mundial de Combate ao Fumo, comemorado em 31 de maio. A data traz reflexões sobre a importância do combate ao fumo e de como a saúde pode ser prejudicada por causa do uso do produto.

Em Roraima, a legislação é rígida quando se trata da proibição da venda e uso do tabaco. A Lei nº 186/98 proíbe a venda de cigarros e qualquer outro produto derivado do tabaco para menores de 18 anos, de autoria da ex-deputada Rosa de Almeida Rodrigues.

Em 2007, a Lei nº 595 obrigou as escolas e órgãos públicos do Estado a fixarem, em local visível, cartazes com informações sobre os malefícios do cigarro, bebidas alcoólicas e drogas. A Lei é de autoria da ex-deputada Marília Pinto.

Dois anos depois, a ALE-RR promulgou a Lei nº 745/09 que proíbe o consumo de cigarros e qualquer outro produto fumígeno, derivado ou não do tabaco, em locais públicos. A lei cria ambientes de uso coletivo livres do cigarro, também de autoria de Marília Pinto.

De acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), em 2019, o Brasil poderá registrar cerca de 31,2 mil novos casos de câncer de pulmão por tabagismo, sendo que mais de 400 pessoas morrem, por dia, vítimas dessa doença. Assim, 12,6% de todas as mortes registradas no país são atribuíveis ao tabaco.

No Estado, ações da Secretaria de Saúde (Sesau) promovem acesso aos pacientes que precisam de atendimento especializado. A Clínica Coronel Mota possui médico especialista na área de pneumologia para quem precisa de orientações sobre o tabagismo.

Segundo dados da Sesau, a média de atendimentos especializados é inferior à média nacional. Os números apontam que no período de janeiro a abril de 2018 foram realizados 572 atendimentos, no ano seguinte se registrou 580 atendimentos, e no mesmo período de 2020, foram 279.

TRATAMENTO

O “Programa do Tabagismo”, promovido pelo governo estadual, oferece tratamento gratuito aos fumantes. Para o paciente ter acesso, deve procurar a Coordenação da Atenção Básica da Secretaria de Saúde do município onde reside.

Os profissionais da saúde do interior passam por capacitação, promovida pelo Instituto Nacional do Câncer, a fim de atender mais especificamente os pacientes. A intenção é formar uma equipe multiprofissional, composta por enfermeiros, psicólogos, farmacêutico e médicos, que avaliam individualmente os casos recebidos.

Os dados coletados pela equipe médica são enviados ao Ministério da Saúde (MS) e depois de acompanhar os casos, o Ministério encaminha toda a medicação para que os pacientes iniciem o tratamento. Pacientes com idade entre 18 e 60 anos são os que mais procuram por ajuda, de acordo com o perfil traçado pela Sesau.

FUMO X COVID-19

Uma pesquisa científica publicada pela OMS há mais de um ano, aponta que os fumantes têm maior probabilidade de desenvolver doenças graves e até morte por covid-19. Esta relação explosiva preocupou a cabeleireira Sara Lima assim que a pandemia se instalou globalmente.

“Tenho asma e quero cuidar da minha saúde, pois tenho muito medo de contrair o vírus da covid-19 novamente. A primeira vez que peguei, tive sintomas leves, foi muita sorte. Sempre dou meu exemplo de vida a todos que fumam. Quero que todos saibam dos malefícios causados pelo cigarro. Minha filha mais velha fuma e, infelizmente, ela me teve como exemplo”, avaliou.

Com a chegada da pandemia, a procura pelo tratamento teve redução significativa, como explica a diretora do Departamento de Políticas Oncológicas (DEPAO), Claudia Almeida.

“Infelizmente houve uma queda pela busca do tratamento. A gente solicita que os coordenadores da Atenção Básica busquem estratégias para que o programa não pare e, assim, possamos dar continuidade ao tratamento do fumante “, afirmou.

O fisioterapeuta do Hospital Geral de Roraima, Lisandro Cervera, revela que os fumantes têm risco maior de sofrer sintomas mais graves causados pelo Sars-CoV2 nas vias respiratórias. “O fumante pode evoluir para uma Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica, que chamamos de DPOC”, explicou.

Os que têm essa patologia, de acordo com o fisioterapeuta, ficam pior tanto durante a progressão da covid-19 quanto no pós-covid-19, quando os sintomas são potencializados.

“Além da fraqueza na musculatura periférica, o quadro piora com problemas pulmonares associados [asma, bronquite]. Após a cura, esse paciente ainda precisa fazer o tratamento, porque sofre de alguma síndrome, portanto fica mais fraco e não consegue realizar as atividades diárias, por exemplo”, completou.

Texto: Kátia Bezerra
Foto: Tiago Orihuela
SupCom ALE-RR

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