O corpo docente aprenderá a identificar quem é a pessoa que motiva a violação dos direitos.

A Procuradoria Especial da Mulher, da Assembleia Legislativa de Roraima (ALERR), por meio do Núcleo de Promoção e Prevenção ao Tráfico de Pessoas, iniciou nesta segunda-feira, 19, o projeto Educar é Prevenir, que será desenvolvido na rede estadual de ensino.

A primeira unidade a ser contemplada é a Escola Estadual Maria dos Prazeres Mota, localizada no bairro Santa Teresa, na zona Oeste da cidade, instituição que já teve registro de caso de violência sexual. Na manhã desta segunda-feira eles receberam o material didático que será utilizado na capacitação.

O projeto, segundo a coordenadora do Núcleo, Socorro Santos, tem como finalidade informar o conceito de exploração sexual, como se divide e o resultado deste crime que incide no tráfico de pessoas, que pode ser para fins de abuso ou de exploração sexual. O trabalho realizado junto à equipe docente será posteriormente aplicado na sala de aula de forma lúdica.

Três técnicos do Núcleo vão utilizar banners, caixa small jail box (que ilustra a prisão das mulheres vítimas do tráfico), folders, cartazes e outros panfletos para capacitar 198 pessoas que fazem parte do quadro do corpo docente, que vai do porteiro à diretora. Esses funcionários, posteriormente, vão trabalhar o tema com os 1.100 alunos da escola. O projeto será realizado sempre no último tempo dos períodos matutino, vespertino e noturno.

“O projeto Educar é Prevenir é importante porque veio para empoderar toda a comunidade escolar, ensinar os servidores a ter um olhar de águia, olhar de cima para baixo para ver as violações que estão acontecendo no âmbito da esfera escolar. Vai mostrar as diferentes violações sexuais e as subdivisões: o abuso, quando se mantêm a pessoa no cativeiro; e a exploração sexual, que envolve pagamento, trabalho agenciado, autônomo e as trocas sexuais, que resultam no tráfico de pessoas”, explicou Socorro, ao salientar que a violência sexual está cercada por vários arranjos que precisam ser identificados pela comunidade escolar.

O corpo docente aprenderá a identificar quem é a pessoa que motiva a violação dos direitos. “Imaginamos o violador como uma pessoa horrível. Muitas vezes ele está bem e sorrindo, como se tivesse levando alegria e felicidade para aquela vítima, que passa por problemas econômicos diversos. É isso que vamos mostrar para que a escola perceba essas questões e faça um trabalho diferenciado”, complementou Socorro, ao ressaltar que no último dia do evento, na sexta-feira, 23, haverá uma mesa-redonda com a representatividade de 12 órgãos.

Os representantes do Tribunal de Justiça de Roraima (TJRR), Defensoria Pública do Estado (DPE), Ordem dos Advogados do Brasil (OABRR), Conselho Tutelar, Juizado da Infância e Juventude, Secretaria de Segurança Pública (SESPRR), Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) e do Centro de Referência Especializado da Assistência Social (CREAS), vão discutir o tema, mostrar as questões jurídicas, orientar como proceder diante de uma situação que envolva violência sexual e tirar as eventuais dúvidas dos docentes e discentes.

A gestora da Escola Maria dos Prazeres Mota, Ivone Sobrinho de Souza, acredita que a capacitação vai contribuir muito para que os funcionários fiquem atentos, para identificar possíveis casos relacionados ao tráfico de pessoas.

“Esse trabalho será mais que essencial, é tudo de bom, principalmente para a comunidade escolar do ensino médio, que precisa dessa interação. Os nossos professores já têm conhecimentos sobre a violência sexual, mas creio que esse projeto irá despertar ainda mais. Possibilitará um diagnóstico melhor dos casos, aprender a lidar mais com a situação e a recorrer aos órgãos certos na hora que for preciso”, disse a gestora.

 

Por Marilena Freitas

SupCom/ALE-RR