A quantidade de multas de trânsito aplicada após a implantação dos radares de velocidade, conhecido popularmente como pardais, na cidade de Boa Vista, já está sendo classificada como a indústria das multas. Incomodado com a situação e por ter recebido inúmeras reclamações, o deputado Gabriel Picanço (PRP) se pronunciou contra a situação.

“Tenho recebido muitas reclamações da população. Tenho amigos em Boa Vista que têm mais de dez multas, outros têm seis, quatro. Eu mesmo já tive aproximadamente 12 multas durante esse tempo e eu nunca fui multado na minha vida. Alguma coisa está errada. Quem projetou o tráfego ou não conhece a realidade de Boa Vista ou não conhece o Estado de Roraima”, avaliou.

Diante da problemática enfrentada, Picanço afirmou que iria acionar o Ministério Público do Estado de Roraima (MPRR) para investigar o caso. Conforme justificou, a investigação é cabível porque problemas semelhantes foram vivenciados pelos motoristas dos estados de Tocantins, Amapá e Amazonas.

“Nesses estados foi detectado que havia ‘armação’. Não podemos aceitar isso. Se 30% do povo de Boa Vista já está com problema, imagina daqui um ano, vamos perder mais de 50% da frota. 30% a 40% dos proprietários da frota de Boa Vista pertence a pessoas que fazem parte da classe média baixa, e que não aguentam pagar o IPVA (Imposto sobre Propriedade dos Veículos Automotores). Imagina pagar IPVA e mais a multa, que é três vezes o valor do IPVA”, analisou.

“Vou acionar o Ministério Público do Estado e pedir que fiscalize, que chame as empresas que projetaram os radares de velocidade para verificar e ver se tem como amenizar. É inconcebível, é inaceitável se multar mais de 60 mil pessoas em apenas dois meses. Tenho certeza que se for feito um levantamento hoje, já passam de 100 mil multas. o Ministério Público é que tem o poder para fazer essa investigação, então que faça com urgência e dê uma resposta para a sociedade”, complementou.

 

Por Marilena Freitas

SupCom/ALE-RR