Parece algo banal, mas o simples fato de não conseguir explicar aos amigos surdos da filha que ela não estava em casa era algo que incomodava Jocimara Pires, de 50 anos. Uma de suas duas filhas, Marina Lima, de 29 anos, teve perda parcial da audição em um lado e total no outro, o que dificulta entender o que se fala. Para tentar se inserir mais no universo da filha, a mãe fez um curso de Libras (Língua Brasileira de Sinais) ofertado gratuitamente pela Escola do Legislativo Cursos Preparatórios, instituição de ensino da Assembleia Legislativa de Roraima.

A dona de casa conta que com o passar do tempo, a filha foi crescendo e expandindo seu grupo de amizades, muitos deles surdos. Foi quando ela percebeu que era necessário aprender Libras para se comunicar com este grupo, já que com a filha, ela se comunicava por leitura labial.

Em conversa com uma amiga, ela soube que a Escola do Legislativo estava ofertando o curso de Libras e se inscreveu no nível básico. Assim que concluiu, seguiu para o intermediário. “Fiz o curso e aprendi o que eu estava realmente precisando aprender para me comunicar com eles, para quando viessem procurar por ela eu soubesse falar alguma coisa”. Atualmente, devido à pandemia e a orientação de distanciamento social, ela tem praticado pouco, mas pretende, assim que possível, retomar as aulas e colocar os gestos em prática.

Hoje, Marina trabalha, tem filhos, e aprendeu um pouco de Libras na convivência com os amigos surdos e depois, ao acompanhar a mãe em algumas aulas na Escola do Legislativo. Jocimara disse que a filha tem vontade de também fazer o curso para melhorar sua comunicação.

Segundo a professora de Libras da Escola do Legislativo, Cláudia Borges¸ é importante que surdos e ouvintes aprendam essa língua, para poder estabelecer uma comunicação mais clara, com inclusão de quem não pode ouvir as palavras mas que pode entender os gestos. Ela ressaltou que uma pessoa que fala seu idioma materno e a Libras é considerada bilíngue. “Quem aprende a interpretar ambas pode falar e ensinar nas duas línguas simultaneamente”. Para a professora

Libras

Nesta sexta-feira, dia 24 de abril, celebra-se o Dia Nacional de Libras, meio de comunicação utilizado pelas comunidades surdas. De acordo com a última amostra de pessoas com deficiência do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), Roraima tem aproximadamente 20 mil habitantes com algum tipo de deficiência auditiva.

A Língua Brasileira de Sinais (Libras) foi reconhecida por lei, no Brasil, em 2002. É uma língua completa, com estrutura gramatical própria. Além dos sinais, as expressões faciais e corporais são muito importantes para a interpretação do que se comunica por gestos. Dependendo do sinal, ele pode ser igual nas mãos, mas diferente na expressão o que pode mudar por completo o sentido de uma frase. A língua de sinais não é universal assim como qualquer outra língua. Cada local tem seu desenvolvimento próprio inclusive com direito a regionalismos.

Mais informações sobre os cursos ofertados pela Escola do Legislativo: 98402-3402.

 

Foto: Jader Souza

SupCom ALE-RR