Carolina* foi uma das mais de 390 mulheres vítimas de violência doméstica em Roraima no primeiro semestre deste ano, segundo dados são do Anuário de Segurança Pública. Outras 572 mulheres buscaram o ZapChame, da Assembleia Legislativa de Roraima para pedir orientações sobre como proceder e identificar os tipos de violência vivenciado em casa.

A história de Carolina começou em abril deste ano, durante a compra de uma máquina de lavar. Interessada no produto, mandou mensagem ao vendedor. Ele, no entanto, salvou o contato da mulher onde mais tarde começaram a conversar resultando no início de um relacionamento. Com o passar dos dias, o rapaz passou a prometer mais que um namoro, e disse que queria casar com a Carolina. Ele sugeriu que ela emprestasse dinheiro no banco para comprar transporte, celulares e os móveis da casa.

Ela realizou a transação de mais de R$ 30 mil. “Depois disso ficamos de comprar outras coisas, comprei móveis pra mim, mas tudo sabendo que eu iria me comprometer com a minha parte e ele pagar a outra parte”, explicou. Além do empréstimo, ela solicitou um cartão de crédito e entregou a ele, pois a promessa era manter as contas em dia.

Com os itens em mãos, e uma dívida a ser quitada, o homem sumiu. Levou o carro, pertences de Carolina e a deixou sem dinheiro, pois o empréstimo comprometeu todo o salário. Sem rastros, Carolina não conseguia localizar o homem que prometeu a ela ajuda e uma família.

No fim do mês de agosto, ele reapareceu. Discretamente gravou a conversa com o celular enquanto fazia perguntas íntimas a Carolina. Depois de vários questionamentos ele passou a fazer ameaças e foi embora.

Ajuda

Sem saber o que fazer, Carolina entrou em contato com o ZapChame, atendimento virtual do Centro Humanitário de Apoio à Mulher (CHAME). “Tirei esse cartão pra ele, fiz essas dívidas e em agosto percebi que eu tinha sido enganada. Eu busquei ajuda no CHAME que orientou que eu deveria registrar um boletim de ocorrência, buscar a DPE”, lembrou a mulher.

A situação deixou Carolina no prejuízo e doente. Hoje ela está depressiva. Ao chegar na delegacia, outra surpresa. Carolina foi a 14º vítima do golpista. “O rapaz sumiu, não sabemos para onde ele foi, nem sabemos onde está o carro, o que ele fez com esse transporte e eu tive que ficar no prejuízo com o salário todo comprometido e as cobranças”.

A família, comovida com a situação, passou a ajudá-la, mas ela não sabe até quando será assim. Ela está em busca de outro trabalho com a esperança de reaver a dignidade e o próprio sustento. “Meu pai assumiu algumas dívidas até dezembro, de janeiro em diante eu não sei como vai ser”.

Carolina pede para que outras mulheres tenham coragem de denunciar qualquer tipo de violência. “Não se sintam ameaçadas, vocês têm direitos, devem correr atrás. Ele não soube ser um bom namorado, me conquistou para o que ele queria e foi embora”, disse, cabisbaixa.

Tipos de violência

Ao conversar com a plantonista do ZapChame, Carolina conheceu mais sobre os tipos de violência contra mulher previstos na Lei Maria da Penha. Entre as mais evidentes sofridas por ela foram as violências psicológica, patrimonial e sexual, pois ela mantinha relação para agradar o companheiro.

“Infelizmente muitas mulheres desconhecem a violência psicológica, a sexual e acreditam que só estão sofrendo violência quando apanham, ficam roxas, com marca”, destacou Elizabete Brito, coordenadora do CHAME.

Mesmo com a pandemia, o Zap Chame continua a atender pelo número (95) 98402-0502, todos os dias, inclusive aos sábados, domingos e feriados, 24h. “Temos uma rede para ajudar a tirar essa mulher do ciclo da violência”, disse.

*Nome fictício

Texto: Yasmin Guedes

Foto: Jader Souza

SupCom ALE-RR