Apesar de representar a maioria do eleitorado de Roraima, o público feminino ainda é o menos presente em cargos de liderança política. Esta baixa representatividade foi tema da live “Gênero e Política no Brasil: A Força da Mulher”, realizada pela Assembleia Legislativa de Roraima (ALE-RR) nesta segunda-feira (8), marcando o Dia Internacional da Mulher.

 

A deputada estadual Betânia Almeida (PV), que comanda a Procuradoria Especial da Mulher, instituição do Poder Legislativo, mediou o bate-papo. Durante a conversa, ela encorajou as mulheres a se interessarem pela política. “Somos sete mulheres parlamentares no extremo Norte do Brasil fazendo a diferença. Então, isso mostra que em pleno dia 8 de março, nós estamos, com muita luta, sendo essas mulheres incansáveis, realmente temos feito a diferença”.

 

A deputada também destacou que o Poder Legislativo desenvolve políticas públicas para garantir direitos e proteger mulheres da violência, como o Chame (Centro Humanitário de Apoio à Mulher) e os núcleos voltados às vítimas de tráfico de pessoas e acompanhamento aos homens que buscam mudar o comportamento agressivo.

 

“A Procuradoria tem o objetivo de eliminar a violência, também a construção da cidadania por meio de ações globais e de atendimento interdisciplinar como psicológico, jurídico e social à vítima de violência doméstica”, pontuou Betânia.

Incentivo e políticas públicas

 

De Cuiabá, Mato Grosso, a terapeuta Sirlei Theis explicou que, ao contrário dos homens, as mulheres não são incentivadas desde cedo a participarem do processo político.

 

“A gente vem de uma construção, de uma crença de que a política não é lugar de mulher. Isso vai passando de geração para geração. A gente não se sente pertencente nesse meio. Para a gente prosperar dentro de algo, precisamos nos sentir parte daquilo”, pontuou a terapeuta.

 

A representatividade pode influenciar na elaboração de políticas públicas e na tomada de decisões. A advogada Florany Mota, representante do movimento Mais Mulheres da OAB-RR (Ordem dos Advogados do Brasil) explicou que as mulheres estão perdendo direitos conquistados, e citou como exemplo a reforma da Previdência, que aumentou a idade mínima para as mulheres se aposentarem.

“Nós não merecíamos ter essa perda de direitos. Por isso que é importante a mulher na política, porque se tivesse mais deputadas federais, que tenham essa sensibilidade pela pauta feminina, jamais teria sido aprovada na Câmara Federal uma reforma que prejudicasse as mulheres”, lamentou a advogada.

 

live foi transmitida pela TV Assembleia (canal 57.3) e está disponível, na íntegra, nas redes sociais da instituição.

 

Texto: Vanessa Brito

Foto: Tiago Orihuela  

Supcom ALE-RR