O Samu possui um equipamento que grava voz, identifica o número de telefone e o horário que o trotista ligou.

Por enquanto, o Samu (Serviço de Assistência Médica de Urgência) é a única instituição que está equipada para identificar pessoas que usam telefone, comunicando falsas ocorrências aos serviços essenciais de emergência, o 192 – Samu; 190 – Centro de Operações da Polícia Militar e o 193 – Corpo de Bombeiros de Roraima. Sendo assim, a partir de agora, será aberto procedimento para punir aqueles que passam trotes, conforme prevê a lei nº 1.181/2017, conhecida como a Lei do Trote, de autoria da deputada Lenir Rodrigues (PPS), sancionada no mês de maio deste ano.

O Samu possui um equipamento que grava voz, identifica o número de telefone e o horário que o trotista ligou. De posse dessas informações, os atendentes fazem um relatório, inclusive apontando quantas vezes o mesmo número ligou. “Estávamos em adaptação à lei e, partir de agora, passaremos a abrir os processos para punirmos quem passar trote”, afirmou José Helinaldo Costa, diretor da Central de Regulação das Urgências – SAMU 192, comentando que a população precisa ter mais consciência, caso contrário, vai ter que pagar multa.

A deputada Lenir Rodrigues parabeniza o Samu, porque irá colocar a lei em prática. “Identificando essas pessoas, agora terá condições de encaminhar o relatório dessa ocorrência para a polícia, que tomará as medidas cabíveis até o Judiciário que fará o trotista pagar a multa. Sendo reincidente pagará uma pena alternativa que vai ser determinada também pelo Judiciário”, informou, ressaltando que será ótimo se o Corpo de Bombeiros e a Polícia Militar de Roraima também se adequarem a lei, para que façam esse serviço de identificação dos trotistas. Como autora da Lei do Trote, a parlamentar explicou que a ideia é diminuir os custos para o Estado e educar as pessoas para que evitem esse tipo de ação.

José Helinado reconhece que a lei é excelente e veio em boa hora, mas, segundo ele, os números de trotes não têm diminuído e chegam a uma média de 450 ligações falsas por mês e, algumas vezes, tem quem ligue do mesmo número entre 10 e 15 vezes por dia. “As crianças são as que mais passam trotes, ligando de celulares dos pais e de orelhões próximos da escola onde estudam. Os trotes feitos por elas não demandam ambulância, mas obstrui a linha 192, o que compromete o atendimento a população”, contou o diretor.

Ele disse ainda que adultos também passam trotes. “Enquanto os atendentes estão ocupados com uma ligação falsa, fazendo com que nossa equipe se desloque até o local da ocorrência indicada durante o telefonema, alguém que realmente necessita de atendimento de emergência fica impedido de ligar para o serviço e sua vida pode acabar sendo colocada em risco”, apontou.

Bombeiros – A responsável pelo Centro de Operações do Corpo de Bombeiros, Kelly Jones, disse que a Lei do Trote é importante para o Corpo de Bombeiros, porque é a ferramenta a trabalhar essa questão dos trotes. “Diante dessa lei, o Corpo de Bombeiros está se adequando para que possamos identificar e punir essas pessoas que utilizam o telefone de emergência para passar trote, pois temos um prejuízo grande porque o tempo em que a viatura sai do local de origem até o local do acidente acabando sendo prejudicado”, comentou.

Sobre números de ligações falsas, Kelly informou que não tem porque está sendo consolidado. “Mesmo com essa legislação, infelizmente continua alto o número de trotes”, disse, ressaltando que a identificação de um trote é feita por meio de uma triagem, mas para punir o trotista é preciso o trabalho da Polícia Militar nesse tipo de situação.

Por Edilson Rodrigues

SupCom/ALE-RR