George Melo lembrou as mortes de mais de 30 bebês na Maternidade Nossa Senhora de Nazaré, nos meados da década de 90.

Os inúmeros problemas denunciados pela população usuária da saúde pública no Estado Roraima, que se agravou após 18 mortes registradas em um final de semana no HGR (Hospital Geral de Roraima), motivou o deputado George Melo (PSDC) a pedir na sessão ordinária desta terça-feira, 1º, a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a Saúde Pública de Roraima.

Ao tratar do assunto, o parlamentar lembrou que a situação calamitosa da saúde já se arrasta há muito tempo, e que as mortes do final de semana somente comprovam o descaso com a população. No entendimento dele, o caos instalado no setor existe por falta de gestão e não de recursos para investimento.

“A governadora virou as costas para o Estado inteiro. Essa Casa liberou 18% do orçamento de todo o Estado, e infelizmente o dinheiro não chega para a Sesau [Secretaria Estadual de Saúde], pois falta remédio, material cirúrgico, material de limpeza de qualidade e uma alimentação decente. O problema não é falta de recursos, mas de gestão”, justificou.

O deputado Joaquim Ruiz (PTN) endossou o discurso lembrando que os números da Junta Comercial corroboram para a triste realidade da saúde pública. “O comércio que mais cresceu neste ano foi o de funerária. Se pegarmos os dados das mortes no Hospital Geral de Roraima e somar com os do Hospital de Rorainópolis, são mais de 850 pessoas neste ano. Se dividirmos por mês, teremos uma média de quantas pessoas morreram (121 pessoas). Mas que isso, o mês que passou tivemos o maior índice proporcional do Estado”, lamentou.

George Melo lembrou as mortes de mais de 30 bebês na Maternidade Nossa Senhora de Nazaré, nos meados da década de 90, quando o governador do Estado era Neudo Ribeiro Campos, marido da governadora.

“Parece que essas pessoas já se acostumaram com esse tipo de ação. Não vi uma nota do Governo se solidarizando com as famílias. Esse é um governo criminoso, porque não estão preocupados com essas mortes, mas com as faturas que serão pagas na Sefaz [Secretaria de Estado da Fazenda]. Eles falam até com deboche quando falam de morte”, complementou.

Por Marilena Freitas

SupCom/ALE-RR