O CHAME (Centro Humanitário de Apoio à Mulher), da Assembleia Legislativa de Roraima, foi o primeiro colocado entre os cinco finalistas para receber o Prêmio Dr. Pinotti – Hospital Amigo da Mulher, promovido pela Câmara dos Deputados. A premiação será entregue no dia 23 de maio, no Salão Nobre Câmara, em Brasília. O prêmio é concedido às instituições, cujos trabalhos e ações desenvolvidas merecem destaques ao promover o acesso qualificado aos serviços de saúde da mulher.
O deputado federal Hiran Gonçalves (PP) foi quem indicou o Chame para participar do concurso. “Ano passado também indiquei o Chame, porque entendo que é uma instituição que trabalha em defesa da mulher vítima da violência doméstica. Este ano mostramos o trabalho desenvolvido pelo Chame em Roraima, que orgulha a todos nós, e conseguimos ser a instituição mais bem votada, por unanimidade pela comissão. Estamos felizes e queremos parabenizar a Assembleia Legislativa, a deputada Lenir Rodrigues, que é a coordenadora, os colaboradores, e dizer ao presidente da Casa, deputado Jalser Renier (SD), que estão todos de parabéns”, disse o parlamentar.
Conforme Hiran Gonçalves, o regulamento para participar do Prêmio Dr. Pinotti – Hospital Amigo da Mulher tem muitos critérios. “O prêmio só é concedido às instituições que têm um trabalho muito efetivo em cuidar da mulher, sabendo distinguir muito bem a identidade da entidade que o recebe. E o Chame desenvolve um trabalho social fantástico em prol da mulher vítima de violência doméstica”, ressaltou.
A deputada Lenir Rodrigues (PPS) disse que o prêmio é o reconhecimento do trabalho do Chame. “Ser a instituição mais bem votada entre as cinco entidades mostra que a violência doméstica familiar é um caso de saúde pública, e que necessita de políticas públicas sérias para o atendimento especializado. Estamos muito felizes de recebermos essa homenagem”, afirmou a parlamentar.
CHAME – O Chame é um dos núcleos da Procuradoria Especial da Mulher da Assembleia Legislativa, que tem também como parte da estrutura os núcleos de Tráfico de Pessoa e o Reconstruir. O Chame desenvolve vários projetos como o Papo Reto, que trabalha o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) combinado com a Lei Maria da Penha, para que crianças e jovens sejam educados para o respeito integral à pessoa da mulher, que sejam preparados para a não-violência.
Tem ainda o programa Capacitação Legal que é um curso de 80 horas certificado pela Escola do Legislativo e voltado para a segurança comunitária, para que as comunidades indígenas tenham acesso à legislação, inclusive à Lei Maria da Penha.
Desenvolve ainda o projeto Elas por Elas que trabalha a questão da notificação da violência; o programa a Vida Pede Passagem, contra o feminicídio no Estado de Roraima; Olhos de Maria que tem uma parceria com a Igreja Adventista do 7º Dia, e o Quebrando o Silêncio, com as mulheres evangélicas, além do ZapChame, que é uma ferramenta, por meio do Whatsapp, para que as mulheres possam se comunicar nos casos de violência, e o Momento do Chame, que divulga a entidade nas repartições públicas e lugares públicos.
“A nossa perspectiva é fortalecermos um outro órgão, que é o Observatório Estadual da Mulher da Assembleia Legislativa contra a violência, em que os dados recolhidos da sociedade possam subsidiar as políticas públicas. Acredito que esses programas têm feito a diferença na nossa sociedade porque trabalhamos com a prevenção contra a violência em todo o Estado”, reforçou a parlamentar.
DR. PINOTTI – José Aristodemo Pinotti, o Dr. Pinotti, foi um médico ginecologista, professor universitário e político. Graduado pela Universidade de São Paulo (USP), onde construiu parte significativa da carreira, foi presidente da Associação Brasileira de Reprodução Humana e Nutrição MaternoInfantil (Renumi, 1975-1988), diretor executivo do Centro de Assistência Integral à Saúde da Mulher (CAISM/Unicamp, 1985-1986), reitor da Unicamp (1982-1986), presidente da Comissão Científica do Programa de Assistência Integral à Saúde da Mulher da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (PAISM, 1988-1992), diretor executivo do Instituto da Mulher do Hospital das Clínicas de São Paulo e chefe do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da USP e secretário Especial da Mulher da Prefeitura de São Paulo.
Desenvolveu inúmeras pesquisas relacionadas ao câncer de mama e atuou como professor titular e chefe do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Também foi membro do Conselho Curador da Fundação Zerbini, de 2005 a 2008, e era titular da Academia Paulista de Medicina desde 2005. Ele deixou mais de 1.300 publicações, entre elas 37 livros científicos, e cerca de 450 artigos em revistas e jornais especializados nacionais e estrangeiros. Na política, foi deputado federal eleito por três mandatos e dedicou esforços a melhorar o acesso à Saúde pública e o atendimento à população. Faleceu em julho de 2009, aos 74 anos.
 
Por Marilena Freitas
SupCom/ALE-RR