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O encerramento das atividades do projeto Educar é Prevenir, desenvolvido pelo Núcleo de Promoção, Proteção e Atendimento às Vítimas de Tráfico de Pessoas, na Escola Estadual Senador Hélio Campos, nesta sexta-feira, 25, foi considerado um sucesso pela coordenação do projeto, por conta da receptividade e acolhida da comunidade escolar, que já trabalha essa temática na instituição de ensino por ter estudantes que já foram vítimas de abuso sexual. Durante a roda de conversa, com a participação de representantes dos organismos governamentais, que fazem parte da rede de enfrentamento, os alunos puderam ouvir as experiências relatadas e tirar dúvidas relacionadas ao assunto.

“Essa escola abraçou o projeto, de fato. Toda a comunidade escolar se mostrou interessada em saber, em aprender o que é o aliciamento e o tráfico de pessoas. A unidade de ensino já tem uma professora trabalhando esse tema em sala de aula, tanto que os alunos apresentaram uma peça teatral muito boa para explicar o tema, além de muitos cartazes sobre a temática. Percebemos um grande interesse por parte dos professores que participaram da capacitação. A nossa avaliação é muito positiva”, disse a coordenadora do projeto, Elizabete Brito.

A gestora da unidade de ensino, Aisleide da Silva Nunes Uchôa, disse que a capacitação do Educar é Prevenir veio para somar junto ao trabalhados já desenvolvidos na instituição. “Por temos na escola casos de abusos sexuais, comprovados, trabalhamos cotidianamente o tema com os alunos e professores. Nesse processo de capacitação que tivemos se fez presente além dos professores, o porteiro e o pessoal da copa, reforçando o trabalho junto da rede de enfrentamento”, afirmou a gestora.

A policial rodoviária Verônica Cisz, da Comissão de Direitos Humanos da Polícia Rodoviária Federal (PRF), e que faz parte da rede, disse que o tráfico de pessoas para fins de exploração sexual é uma realidade no Estado, e que o projeto Educar é Prevenir atua na base, na conscientização de adolescentes. “Algumas pessoas acreditam que o tráfico de pessoas está distante, mas está muito presente. Nós, da PRF, já tivemos algumas atuações nessa área por meio do número 191. É preciso saber se prevenir e buscar ajuda, porque os jovens são atraídos pela ilusão de ser uma grande modelo ou um jogador de futebol reconhecido. Todos querem ser famosos, mas isso é uma grande armadilha”, ressaltou.

A aluna da 1ª série do ensino médio, Kailla Cristina da Silva Taumaturgo, 15 anos, participou da encenação e conta o que aprendeu. “A lição que eu tirei é que a gente precisa se cuidar. O tráfico de pessoas não é brincadeira, pelo contrário, é algo bem sério. Viver uma das personagens traficadas muito me tocou. Ficar sem comer, não ter liberdade, não ver o sol e ser obrigada a fazer o que não se quer, é uma coisa muito infeliz. Ninguém merece passar por isso”, avaliou a estudante.

Quem também tirou um grande aprendizado ao participar do projeto foi o aluno Gedeão Luiz da Silva Mangabeira, 16 anos, que faz a 1ª série. “Os pais precisam chamar os filhos para conversar, saber como foi o dia deles, com quem está andando e o que faz quando não está na presença dos familiares. Tem que observar a vida dos filhos. Os filhos também devem falar tudo para os pais, não pode esconder as coisas erradas que estão acontecendo, tem que pedir ajuda”, disse.

PROJETO – O Educar é Prevenir é um projeto piloto desenvolvido pelo Núcleo de Promoção, Prevenção e Atendimento às Mulheres Vítimas de Tráfico de Pessoas, coordenado pela Procuradoria Especial da Mulher, da Assembleia Legislativa do Estado de Roraima (ALE/RR), que tem à frente a deputada Lenir Rodrigues (PPS).

Marilena Freitas

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