A Atlas da Violência, divulgado nesta quinta-feira (27) pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), aponta que de 2013 a 2018 o número de feminicídios em Roraima cresceu 42%. Segundo profissionais do CHAME (Centro Humanitário de Apoio à Mulher), instituição ligada à Assembleia Legislativa voltada para defesa dos direitos da mulher, denunciar a violência sofrida é fundamental no combate ao feminicídio, que passa ainda por ações educativas, preventivas, além da punição dos agressores.

De 2015 até este mês, mais de 2 mil vítimas de violência doméstica foram acolhidas no CHAME. Os números revelam que em 2019 foram realizados 124 atendimentos ligados à ameaça de morte. De janeiro a março de 2020 foram 19 casos.  No centro elas recebem apoio jurídico, psicológico, social, e todo o suporte para que consigam romper o ciclo de violência com amparo policial e jurídico.

A denúncia é importante para que o poder público possa tomar conhecimento do caso e agir. A partir do momento que a mulher toma essa atitude, o Estado tem a responsabilidade de resguardar a vida dela, além de investigar e punir o autor da violência.

Violência gradativa

A coordenadora do CHAME, Elizabete Brito, pontuou que não há um perfil que defina os agressores, mas explicou que o ciclo de violência começa com fatos considerados simples, mas que merecem atenção. “Não permitir que a parceira trabalhe, monitorar redes sociais, celular, amizades, humilhar em público. Esses sinais servem de alerta não apenas para a vítima, mas para familiares e amigos que podem ajudar neste momento”, orientou.

O ciclo da violência passa por três fases: inicia com a tensão do agressor, que é marcada por irritação por coisas simples. Na segunda fase, o agressor perde totalmente o controle e comete violência verbal, física, psicológica, moral ou patrimonial. Já a terceira fase, a chamada “lua de mel”, é quando ocorre o suposto arrependimento do agressor e o tratamento carinhoso com a vítima, fazendo-a se reconciliar com promessas de mudanças.

Vítimas de violência doméstica relatam que com o tempo, os intervalos entre uma fase e outra ficam menores, e as agressões passam a acontecer sem obedecer à ordem das fases. Em alguns casos, o ciclo da violência pode terminar com o feminicídio, que é o assassinato da vítima.

Não tenha medo, CHAME

O trabalho do CHAME vai além da orientação, com atendimento humanizado gratuito às vítimas de violência doméstica, por meio de uma equipe multidisciplinar com psicólogas, assistentes sociais e advogadas.  Esse apoio também se estende a pedidos de medidas protetivas até a homologação de acordos, como pensão alimentícia, partilha de bens e guarda dos filhos.

Devido ao isolamento social causado pela pandemia do novo coronavírus, os atendimentos estão sendo realizados por meio do serviço de mensagens o Zap CHAME 98402-0502, pela qual as vítimas podem pedir ajuda pelo WhatsApp.

A ferramenta virtual foi criada em 2016, pelo presidente da Assembleia Legislativa, Jalser Renier.  De março a setembro deste ano, foram registrados 223 pedidos de ajuda ligados à violência doméstica pelo ZapChame. O serviço funciona 24 horas por dia, inclusive aos finais de semana e feriados.

Texto: Sueda Marinho

Foto: Arquivo / SupCom ALE-RR 

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