Olhe o seu aparelho celular e veja: quantos aplicativos de redes sociais estão ativos? Quantos e por quanto tempo você está conectado a eles todos os dias? O poder de manipulação das redes sociais é abordado no documentário “Dilema das Redes”, disponível na plataforma streaming Netflix e tem gerado debates. Segundo especialistas em informática e psicologia do programa Abrindo Caminhos, da Assembleia Legislativa, é importante o usuário ter ciência das estratégias utilizadas por estes aplicativos, para poder usar as redes, se for o caso, de forma responsável.

Segundo o professor de Informática, Eubert Botelho, por se tratar de internet, todas as informações acessadas, compartilhadas, baixadas ou até mesmo visualizadas pelos internautas são registradas pelos algoritmos, uma espécie de fórmula para selecionar conteúdos mais relevantes para o usuário, e consequentemente, mantê-lo mais tempo conectado.

“No momento que esses algoritmos conseguem captar nossos dados, nossas informações, eles conseguem saber o que a gente gosta e podem, futuramente, manipular a gente”, explicou o professor. Ele complementou que isso é prejudicial, até certo ponto, pois torna as pessoas mais vulneráveis. “Um exemplo é quando se faz pesquisa sobre um certo brinquedo, desenho, automaticamente você pode perceber que aquilo vai aparecer durante a navegação”, explicou, ao exemplificar como ocorre a indução à compra.

Este assunto é abordado com frequência pelos professores junto às crianças do programa Abrindo Caminhos. Eubert dá dicas para os internautas navegarem com segurança e mais discrição como, por exemplo, o uso de páginas no modo anônimo, e evitar sincronizar a conta pessoal de e-mail. “A partir do momento que você está conectado você está registrado e eles vão pegar suas informações e lançar propagandas ou, isso não pode acontecer, mas podem pegar e vender as suas informações para empresas”.

Aos pais ou responsáveis por crianças e adolescentes, a dica é a instalação de aplicativos para limitar o acesso e uso em redes sociais. Estas ferramentas estão disponíveis nas lojas virtuais iOS e Android.

Poder psicológico

Além de atrair às compras, o uso constante das redes sociais altera o comportamento e as emoções humanas. A psicóloga do programa Abrindo Caminhos, Adria Almeida, comparou este processo ao uso de drogas, pelo poder viciante e capacidade de proporcionar liberação de hormônios como a dopamina, responsável pela sensação de bem-estar e prazer. “Muitas vezes ilusório, pois na mesma proporção ela causa mal-estar caso aconteça algo que desagradou, gera ansiedade, frustração e causa inveja”, acrescentou.

O ideal seria a desconexão de todas as redes sociais, embora a própria psicóloga considere isso algo inalcançável. “Cabe a cada um ter essa autorresponsabilidade de perceber até onde faz bem”. No caso das crianças é preciso estipular horários, permanência de uso e diminuir o consumo de informações.

Dicas

No documentário, ex-funcionários e ex-diretores de empresas como a Google, Facebook, Twitter, entre outras plataformas, relatam as experiências de manipulação feitas de maneira praticamente imperceptível pela população, por meio do acesso a dados pessoais. A produção também aborda a influência das redes sociais e das notícias falsas em processos eleitorais.

Ao longo de 1h35 minutos de documentário, pessoas ligadas às redes sociais dão dicas para evitar envolvimento e manipulação, como:

·        Não clicar em vídeos ou postagens recomendadas pela rede social, sendo o melhor a buscar diretamente pelo conteúdo desejado;

·        Configurar navegador de internet para bloquear recomendações e comentários no Youtube;

·        Desativar as notificações de redes sociais;

·        Fazer uma limpeza no aparelho celular e desinstalar aplicativos não usados;

·        Usar outros buscadores de internet e evitar o Google;

·        Ter cuidado ao compartilhar conteúdo sem verificar a autenticidade e a veracidade da informação;

·        Seguir ou aceitar pessoas com opiniões diferentes da sua;

·        Evitar o contato de crianças às redes sociais;

·        Não levar o celular para cama. Desconecte-se, pelo menos, meia hora antes de dormir e mantenha o dispositivo em outro ambiente;

·        E, em casos mais drásticos, excluir a conta pessoal de redes sociais.

Texto: Yasmin Guedes

Foto: Jader Souza

SupCom ALE-RR