Pular para o conteúdo

Alto índice de gravidez na adolescência em Roraima exige mais doadores de sangue

Na live “Doe Amor” transmitida pela TV Assembleia (57.3) e redes sociais do Poder Legislativo (@assembleiarr), na noite desta quarta-feira (30), a convidada e ginecologista Eugênia Glaucy alertou para a necessidade de mais doadores de sangue em Roraima. Segundo ela, o Estado lidera o ranking da região Norte de gravidez na adolescência, o que resulta, consequentemente, em mais complicações na hora do parto.

“Temos a maior taxa de fertilidade no Brasil e somos recorde de gravidezes na adolescência na região Norte. Esse tipo de gravidez demanda muitas complicações no parto”, explicou a ginecologista, ao recomendar mais campanhas de prevenção à  gestação precoce de adolescentes.

O encontro virtual ocorreu nos estúdios da TV Assembleia, no prédio da Assembleia Legislativa, e foi conduzido pela deputada Yonny Pedroso (SD), autora da Lei nº 1.361/19 que institui o Junho Vermelho para incentivo à doação de sangue em Roraima.

Além da médica Eugênia Glaucy, participou da live a gerente de Captação de Doadores do Hemoraima (Hemocentro de Roraima), Juliana Uchôa, que tirou dúvidas quanto aos critérios e serviços prestados pelo único centro de hemoterapia do Estado.

A deputada disse que o intuito da live é ampliar as discussões para que a população possa despertar a vontade de ajudar o próximo. “Os temas levantados foram os mais variados com relação à doação de sangue. Tiramos várias dúvidas, foi um bate-papo muito agradável, muito enriquecedor, afinal de contas, a sociedade precisa desses esclarecimentos para tirar o medo e a vergonha para ajudar quem mais precisa”, disse Yonny.

E quem ainda não é doador de sangue, esclareceu Juliana durante a transmissão, precisa atender aos critérios como ter mais de 16 anos (menor só pode doar se tiver  acompanhado do responsável legal), pesar mais de 50 quilos, fazer uma alimentação reforçada antes da coleta, ter dormido no mínimo 6h na noite anterior, não ter ingerido bebida alcoólica nas últimas 12h, apresentar documentação pessoal para cadastro e, principalmente, ser fidedigno ao responder o questionário da instituição.

“É um ato muito nobre, mas muitas pessoas ainda têm medo”, reforçou, ao salientar que desde o início da pandemia os cuidados foram redobrados pelos servidores. Quem se vacinou contra a covid e deseja doar sangue, explicou Juliana, deve aguardar de dois a sete dias após o recebimento do imunizante. Para quem pegou covid-19, a recomendação para doação é de 30 dias.

Na visão da médica Eugênia Glaucy, doar sangue representa mais do que dispor de 400 ml do líquido, é doar vida. “É muito triste quando a gente solicita sangue e não há disponibilidade”, relatou.

Segundo ela, na obstetrícia as bolsas de sangue atendem mães e mulheres com doenças. “O índice de mortalidade materna é muito alto e uma das causas é a hemorragia durante e pós-parto, situação em que há necessidade de transfusão sanguínea”, afirmou, ao relatar que o uso de transfusões ocorre em grande quantidade nas mulheres.

Eugênia Glaucy explicou que é contraindicado a doação de sangue para as lactantes com menos de seis meses após o parto, portadores de doenças infectocontagiosas e usuários de medicamentos coagulantes.

Internautas

No decorrer da live¸ internautas interagiram com as convidadas. Entre as perguntas direcionadas à Juliana Uchoa estava o fator sanguíneo mais procurado. “Todas as tipagens são fundamentais, mas as negativas são as mais raras. O tipo sanguíneo ‘O negativo’ só recebe dele mesmo, mas pode doar para qualquer um”, explicou a gerente, ao acrescentar que na pandemia as solicitações continuaram, demandas que incluem cirurgias de urgência e emergência, aumentando o número de pedidos dos hospitais.

Outra dúvida apresentada foi sobre o intervalo de tempo para a doação de sangue ser diferente entre homens e mulheres. “Por conta do ciclo menstrual da mulher, ela chega a perder mais sangue, perde muito ferro, precisando de mais tempo para se recuperar”, esclareceu a ginecologista.

Outro internauta questionou se o doador pode trabalhar no mesmo dia da coleta. “A orientação é que fique em repouso. Por isso recebe um atestado de comparecimento da unidade para justificar a ausência no trabalho”, explicou Juliana, ao lamentar que as legislações trabalhistas limitem a uma liberação por ano para a doação de sangue.

Medula óssea

Juliana Uchoa deixou claro que não há coleta de medula óssea no Estado, mas que o Hemoraima realiza o cadastro de doadores. Nele é coletado 5ml de sangue e estas informações vão para o banco nacional para possível dado de compatibilidade. “Essa compatibilidade é muito rara, quanto mais pessoas cadastradas, há mais probabilidade de encontrarmos pessoas compatíveis”, disse

Texto: Yasmin Guedes

Foto: Eduardo Andrade

SupCom ALE-RR

Compartilhar

Notícias Relacionadas

Arquivos

0