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Programação da TV Assembleia homenageia a mulher negra

Num compromisso de pautar a programação pelo respeito à diversidade, a TV Assembleia (canal 57.3), em alusão ao Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, exibe nesta quarta-feira (21) o bate-papo “Fala, Preta!”, às 19h30. Já no dia 25 de julho, é a vez do musical “Se Acaso Você Chegasse”, uma homenagem a cantora Elza Soares, veiculado às 10h30, com reprise às 19h.

Os eventos são produzidos pelo Arte Sintonia Companhia de Teatro, a única companhia soteropolitana que se dedica ao trabalho do teatro musicado. O grupo composto apenas por atores negros que traz no repertório musicais para todas as idades, aproveita o mês de julho para colocar em debate a inserção dos artistas negros, sobretudo, às mulheres, em um mercado de pouco incentivo governamental e empresarial.

De acordo com a atriz da companhia, Denise Correia, uma das mediadoras do “Fala, Preta!”, que também será conduzido pelas atrizes Lívia França e Clara Paixão, a intenção do debate é dar voz às vivências de negritude de três potências artísticas, Manuela Rodrigues, cantora e compositora; Cristiane Florentino, dançarina e coreógrafa; e Elenia Cardoso, professora e escritora.

“Levando em consideração que estamos no julho das pretas e por conta da comemoração do Dia da Mulher Negra, Latina e Caribenha, no “Fala, Preta!” teremos três convidadas pretas. Os temas são diversos, mas sempre focando e centralizando no que essas artistas têm a dizer sobre o desafio que encontram nos seus caminhos enquanto mulheres pretas”, explicou Denise.

Num país onde o racismo é estrutural, no qual os negros são relegados as condições precárias de existência, a mulher preta é violentada duplamente, já que também sofre com o machismo cotidiano. No estudo, Desigualdades Sociais por Cor ou Raça no Brasildivulgado pelo IBGE em 2019, observa-se uma grande diferença entre os rendimentos dos homens brancos, quando comparados aos das mulheres pretas ou pardas, que recebem 44,4% menos do que eles.

Nesse sentido, os acontecimentos da vida de Elza Soares, contados no musical “Se Acaso Você Chegasse”, são a prova da resiliência de uma raça, que ainda vive o bojo de séculos de escravidão. A pobreza, a gravidez e os casamentos precoces, os momentos marcantes das carreiras, os amores achados e perdidos são intercalados por canções do próprio repertório, interpretadas, sobretudo, pelas atrizes da montagem.

Para o diretor do espetáculo, Antônio Marques, que estreou em 2010 e ficou em cartaz no circuito baiano até 2017, sendo, inclusive, prestigiado pela própria Elza. Um dos destaques da produção que será veiculada é a presença de cantoras tanto no começo quanto no final da atração.

E esse musical sempre conta com a participação de alguma cantora, alguma artista no final do espetáculo. No que será transmitido pela TV, gravada há quatro anos no Espaço Cultural da Barroquinha, em Salvador, coincidentemente, traz na abertura do evento as cantoras Sátyra Carvalho e Denise Correia interpretando “Mulher do Fim do Mundo”. O encerramento do musical fica por conta da cantora Manuela Rodrigues, que interpreta a música “A Carne”, dois dos maiores sucessos da Elza Soares”, frisou.

Dia de Luta

 

Desde 1992, 25 de julho é reconhecido pela Organização das Nações Unidas (ONU) como o Dia Internacional da Mulher Negra, Latino-Americana e Caribenha, a partir do 1º Encontro de Mulheres Afro-latino-americanas e Afro-caribenhas, na República Dominicana. O momento, infelizmente, não é para comemoração, já que na região se encontra 15 dos 25 países mais violentos para as mulheres, incluindo o Brasil, quinto no ranking mundial de feminicídios, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

No Brasil, instituído por meio da Lei nº 12.987, o dia 25 de julho também é marcado como o Dia da Mulher Negra e o Dia Nacional de Tereza de Benguela, líder quilombola símbolo de luta e resistência do povo negro. Tereza assumiu o quilombo do Quariterê, no Mato Grosso, após a morte do marido, José Piolho, e se destacou na organização política com a criação do parlamento local, na produção de armas, na colheita e no plantio de alimentos, bem como na fabricação de tecidos que eram vendidos nas redondezas.

Texto: Suellen Gurgel

SupCom ALE-RR

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