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CYBERBULLYING
Live da Assembleia discute consequências de crimes virtuais e dá dicas de como vítimas devem reagir

Casos de crimes cibernéticos têm crescido em Roraima. A constatação foi feita durante a live “Cyberbullying, crime contra honra em meio virtual”, promovida pela Assembleia Legislativa de Roraima (ALE-RR), nesta quinta-feira (16). O debate foi mediado pelo deputado Evangelista Siqueira (PT) e teve a intenção de sensibilizar sobre a importância do respeito e as consequências de atos violentos na internet.

O evento faz parte da programação alusiva ao “Setembro Amarelo”, mês dedicado à prevenção ao suicídio e a campanhas de conscientização. O bate-papo foi transmitido pela TV Assembleia (canal 57.3) e redes sociais (@assembleiarr).

Siqueira enfatizou a importância do debate no âmbito do Poder Legislativo. “Precisamos discutir sobre ações educativas acerca desse crime, que fere, machuca e vem crescendo assustadoramente. Estamos engajados em conversar sobre isso, fortalecendo o respeito por todos”, disse.

Há dois meses, a miss e digital influencer trans Hayub Thomé foi vítima de cyberbullying. A experiência perturbadora foi relatada durante a live. Depois de uma postagem de rotina em sua conta no Instagram, a artista levou um susto com os comentários intimidadores e depreciativos.

“Com a expansão da internet, esse crime cresceu consideravelmente. As pessoas se acham no direito de te atacar, pensam que estão escondidas atrás do computador e que não serão descobertas. Elas gostam de diminuir o outro de alguma forma e foi o que fizeram comigo. Hoje em dia, não me afeta mais, mas já me machucou muito”, relembrou.

Para o psicólogo Sérvulo Santos, que também participou da live, é preciso alertar, principalmente as crianças, sobre os riscos que o mundo virtual apresenta, a importância da autoproteção e as consequências devastadoras do crime.

“Se o cyberbullying não for bem cuidado dentro de um consultório, a sintomatologia final é o suicídio. Isso é terrível, muito bárbaro e agressivo. Escutar uma crítica que não é positiva não é fácil de aceitar. Essa prática ocasiona insegurança, demência, insatisfação, ansiedade e depressão”, apontou.

A psicóloga da Secretaria Estadual de Educação (Seed), Francimeire Melo, destacou a importância do debate dentro das escolas e o enfrentamento do cyberbullying escolar.

“Houve um aumento significativo desses casos, talvez pelas aulas remotas, e tivemos que nos manifestar, por meio de um documento amplamente divulgado pela mídia, quanto ao cyberbullying ser prática criminosa”. A especialista relatou que, ao perceber que os adolescentes não conseguiam mensurar a gravidade da situação e muito menos a compreensão do impacto que esse crime proporciona, houve a intervenção da Secretaria de Educação.

“Tivemos que fazer o acolhimento desses adolescentes e da família. Diante disso, acompanhamos e encaminhamos para os órgãos responsáveis”, explicou.

O que fazer

Segundo a delegada do Distrito Estadual de Repressão a Crimes Cibernéticos (DERCC), Darlinda Viana, nos primeiros meses de 2021, houve aumento maior do que no mesmo período do ano passado. Para ela, o que acontece na vida real também tem se refletido na internet.

“A mesma tendência agressiva, violenta que a gente enxerga no crescimento das cidades no mundo presencial, vemos no cenário virtual”, acrescentou.

A delega orienta que vítimas de cyberbullying registrem um boletim de ocorrência, com a indicação do suspeito, caso seja possível.

“Podemos identificar haters [termo utilizado na internet para classificar pessoas que praticam bullying virtual]as autorias, os perfis fakes e punir as atitudes criminosas”, acrescentou. Ainda de acordo com ela, descoberto o suspeito, caberá ação judicial nas esferas cível e criminal. “A internet não é terra sem lei”, afirmou.

Texto: Kátia Bezerra

Foto: Marley Lima

SupCom ALERR

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