A deputada Lenir, coordenadora do CHAME, disse que a data é orgulho de comemoração para toda a equipe da instituição que tem como meta “erradicar a doença chamada machismo”

O Centro Humanitário de Apoio à Mulher (CHAME), órgão vinculado à Procuradoria Especial da Mulher da Assembleia Legislativa do Estado de Roraima, completou no sábado, 22, oito anos de bons serviços prestados à população roraimense, na defesa dos direitos da mulher vítima de violência doméstica.

Durante esse período foram mais de 12 mil atendimentos realizados. A comemoração contou com uma programação diversificada que incluiu o Coral de Libras Mãos Dedicadas ao Senhor, a apresentação da cantora Débora Quatro e do Grupo Identidade Gracy, e a exibição de um documentário com 20 minutos de duração contando a história da instituição, produzido pela Superintendência de Comunicação da Assembleia Legislativa.

A deputada Lenir Rodrigues (PPS), coordenadora do CHAME, disse que a data é orgulho de comemoração para toda a equipe da instituição que tem como meta “erradicar a doença chamada machismo e contribuir para a paz na sociedade”. “O que nos dá mais tranquilidade na vida? A paz! Então o nosso objetivo maior é a paz social, a paz nas famílias. Que a mulher seja valorizada, que o homem reconheça os seus defeitos e qualidades, mas que a gente consiga ter paz na sociedade. Nosso trabalho visa o fortalecimento dos laços familiares. Não vamos a uma Vila para desfazer casamentos, mas para fortalecer as relações de uma forma correta, sempre contra um veneno, que é o machismo. Nossa luta é contra a essa postura errônea que a nossa sociedade veio adquirindo de desrespeito às mulheres”, afirmou.

Lenir lembrou que o CHAME foi criado depois de um estudo feito por uma ex-parlamentar em outras unidades da Federação. “Queremos registrar a nossa gratidão à ex-deputada estadual Marília Pinto em trazer esse projeto aqui para o Estado de Roraima. Nesses oito anos temos relatos de mulheres que estão muito bem, felizes. Nosso enfrentamento é contra o machismo que está entranhado em toda a nossa cidade”, reforçou.

A cada ano que passa as ações do CHAME são fortalecidas e ampliadas. “Em 2015 o Chame saiu da casinha rosa, na Coronel Pinto, e foi para as vilas, os municípios, áreas indígenas, para os locais onde nem mesmo as ações governamentais chegam, porque quando vai é para a sede do município e não chega àquela mulher que está na vicinal do Entre Rios. Então a ação do CHAME serve com que a prevenção, o processo educativo para a sociedade, chegue às pessoas que mais necessitem. Então estamos felizes hoje por concretizar esse trabalho. Agradecemos ao deputado Jalser Renier (SD), presidente da Assembleia, e toda a Mesa Diretora, que dá apoio para que esse trabalho chegue aos necessitados, aos mais longes lugares do nosso Estado”, disse.

Jalser, que junto com a deputada Lenir é autor do projeto que criou o Zap Chame, esteve na comemoração, citou a inauguração, no começo da semana, do Núcleo da Assembleia Legislativa em Alto Alegre, onde funciona uma sala do CHAME, e disse que o serviço será levado a todos os municípios de Roraima. “Toda mulher e família vítima de agressão terá esse amparo ofertado por meio do CHAME da Assembleia Legislativa”, concluiu.

“Chame me ajudou a resgatar a dignidade”, diz vítima de violência doméstica

O trauma existe e ainda é latente.  Mas a nova compreensão visualizada e vivenciada com o auxílio incondicional do CHAME, mudou a vida de Maria Clara Silva Dias, que hoje é servidora da instituição e acaba ajudando muitas mulheres a encararem o problema de frente, para que se tornem cidadãs livres. “Em 20 anos de agressão, perdi a minha dignidade! Mas em cinco meses o CHAME me ajudou a resgatar essa dignidade”, disse com os olhos marejados de lágrimas.

O calvário da roraimense Maria Clara Silva começou aos 21 anos quando resolveu se casar. No início, o jardim era bem cuidado e as flores eram coloridas e perfumadas, mas aos poucos essa alegria que parecia ser infinita foi desaparecendo e dando lugar às agressões silenciosas marcadas pelo olhar, seguidas das psicológicas, orais e por fim a violência física, que a cada dia era aprimorada. “No início ele não era assim, agressivo, mas depois de cinco anos ele demonstrou toda a agressividade. Quando chegava do trabalho já era me tratando mal, falava palavrões, me batia”, contou, ao salientar que o vídeo documentário em homenagem aos oito anos do CHAME a fez voltar no tempo e sentir na alma as agressões que sofreu.

A agressão sofrida por Maria Clara era quadriplicada porque os quatro filhos assistiram de perto e também eram atingidos. “Quando não temos uma pessoa para nos ajudar diante de uma violência doméstica, é muito difícil. O CHAME só vem a somar na vida dessas mulheres. Eu consegui minha liberdade há cinco meses, graças ao CHAME, pois se não fosse o CHAME estaria ainda passando pela mesma situação. Hoje, trabalho no CHAME e me orgulho disso, porque o Chame dá realmente o suporte que as mulheres precisam”, contou.

Por Marilena Freitas

Supcom/ALE-RR