A capacitação faz com que eles fiquem com a percepção mais aguçada para visualizar o contexto em que estão inseridos.

O projeto Educar é Prevenir, desenvolvido pela Procuradoria Especial da Mulher da Assembleia Legislativa do Estado de Roraima (ALERR) por meio do Núcleo de Promoção, Prevenção e Atendimento às Vítimas Mulheres de Tráfico de Pessoas, se encerrou na manhã desta sexta-feira, 14, na Escola Estadual Camilo Dias, localizada no bairro Liberdade. Esta é a segunda unidade de ensino a ser beneficiada pelo projeto.

O encerramento contou com a presença dos organismos governamentais e não governamentais que integram a Rede de Serviços no Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas em Roraima. Juntos, realizaram uma roda de conversa com o corpo docente e os alunos. Os estudantes apresentaram um espetáculo teatral que, com o recurso da encenação, repassaram aos demais colegas como esse tipo de crime, às vezes muito sútil aos olhos da sociedade, acontece no cotidiano.

A deputada Lenir Rodrigues, procuradora Especial da Mulher, disse que o trabalho desenvolvido pelo Núcleo tem surtido o efeito desejado. “Como o próprio nome diz, educar é prevenir antes que aconteça. É muito importante o fato da Rede se fazer presente dando informações, trabalhando com crianças e adolescentes esse tema que é tão difícil das pessoas acreditarem que existe. Acredito que o papel da Procuradoria Especial da Mulher está sendo concretizado quando o Núcleo de Tráfico de Pessoas tem essa capacidade de articular a rede, para depois da capacitação dos alunos e professores, fazer esse entrosamento da Rede com os próprios alunos. Todos estão de parabéns!”, avaliou.

Ao palestrar para os alunos, a parlamentar orientou-os que não tenham segredos para com as pessoas que efetivamente cuidam deles, sejam pais, tias, avós. “Não pode ter segredo. Tem que dizer aonde vai e com quem vocês andam, pois serão essas pessoas que vão proteger vocês”, orientou.

Para a professora Andrea Siqueira, discutir esse tema é sempre importante para entender os mecanismos utilizados pelos criminosos. No caso dos alunos, ressaltou que a capacitação faz com que eles fiquem com a percepção mais aguçada para visualizar o contexto em que estão inseridos, não deixando que suas fraquezas se tornem alvos dos criminosos.

“A importância desse tema é suprema, primeiro porque eles não são melhores que os outros, então podem ser vítimas, e uma vez sendo vítima, se perceber na situação. E a partir do momento que têm a informação, conseguem conscientização desse tipo de armadilha. Eles precisam entender que a necessidade deles pode ser utilizada contra eles mesmos”, explicou Andrea.

O juiz Parima Veras, da Vara da Infância e Juventude, acredita que o trabalho do Núcleo surte um efeito que vai ao encontro das demandas do Juizado, que é evitar novos casos. “O trabalho aqui é preventivo e educativo, então entendo que é até mais importante que o trabalho de julgamento, pois quando julgamos é porque o caso já aconteceu. Aqui, além de nós tentarmos evitar o problema, que mais importante, atingimos um público muito maior. Então considero o trabalho dessa natureza importante para a sociedade e para a prevenção desses problemas que tanto prejudicam e deixam a sociedade e as famílias desoladas”, afirmou o magistrado.

A procuradora Regional dos Direitos Humanos do Ministério Público Federal, Ana Carolina Bragança, compartilha da mesma opinião do juiz e avalia o projeto como essencial. “O Ministério Público trabalha no combate do tráfico internacional de pessoas, e sabemos que Roraima é um Estado de passagem de pessoas que vão para outros países, porém, essa representação criminal que o MPF desenvolve é muito mais eficiente se for acompanhada de um projeto de prevenção, conscientização do jovens, adolescentes e crianças, população vulnerável aos riscos que as redes de cooptação de pessoas para fins sexuais ou servidão oferecem, por isso é essencial trabalhar com essas crianças para que conheçam a realidade e possam evita-la”, afirmou.

Para a aluna Sara Brenda, que participou da encenação e montou o roteiro do espetáculo, o Núcleo conseguiu cumprir a finalidade a que se propôs. “Eu queria com esse espetáculo que as pessoas compreendessem que quem pratica esse crime de tráfico de pessoas na maioria das vezes está dentro da nossa família, na escola, e que pode estar em qualquer lugar, então temos que ter cuidado, prestar muita atenção nas pessoas que a gente convive e confia”, disse.

A aluna Kaillane de Araújo Pessoa, que fez parte da encenação, disse que a palestra foi boa. Ela reconhece que o crime existe, mas não acredita que um dia possa ser vítima porque está sempre atenta.  “Durante essa capacitação aprendi que não temos que confiar em qualquer pessoa, que devemos investigar primeiro e não aceitar proposta sem antes verificar a origem da empresa. Eu creio que não cairia nisso porque primeiro iria investigar a pessoa e também porque minha mãe me ensina que não devo confiar em qualquer pessoa”, afirmou.

Entre os parceiros que fazem parte da Rede de Serviços estavam também a Polícia Rodoviária Federal (PRF), o Tribunal de Justiça do Estado de Roraima (TJRR), o Comitê Estadual de Enfrentamento ao Abuso, a Exploração Sexual e Tráfico de Crianças e Adolescentes no Estado de Roraima, Fórum dos Direitos da Criança e Adolescente, Conselho Tutelar e a Divisão Psicossocial da Secretaria Estadual de Educação e Desporto (SEED).

Por Marilena Freitas

SupCom/ALE-RR