A terceira invasão de terras este ano promovida pela Famer (Federação das Associações de Moradores de Roraima), sem sucesso, motivou o deputado George Melo (PSDC) a usar na tribuna da Assembleia Legislativa do Estado de Roraima (ALE/RR), nesta terça-feira, 24, para chamar a atenção das autoridades no sentido de tomar medidas que venham sustar novas ocupações indevidas, sendo respeitado dessa forma o direito à propriedade privada. Ele garantiu que vai denunciar essa ação ao Ministério Público Estadual (MPRR).

A última invasão foi uma gleba na região do Urubuzinho, a 28 quilômetros de Boa Vista. “Essa questão da Famer é emblemática no Estado. Um grupo de desempregado, incluindo o presidente da Federação [Faradilson Mesquita], que se intitula desempregado, diz que comprou uma terra no valor de R$ 500 mil de um pseudo dono. Acontece que eles estão invadindo terras de pessoas de bem e o proprietário do local tem que acionar a justiça, gastar dinheiro, ter dor de cabeça para conseguir retirar os invasores através da reintegração de posse, e depois eles invadem outro lugar. Isso está virando um problema social”, disse George Melo.

O parlamentar entende que esse comportamento corriqueiro da Famer se configura crime. “Isso é crime! Pessoas de bem que com muita dificuldade investe no seu lote, está vivendo sobre a pressão de um grupo que agora aprendeu a invadir. É inexplicável como essa pessoa tem o apoio governamental. Só vejo uma explicação nisso, é que por trás a governadora estar querendo tirar o foco de algumas de suas ações nefastas. Não vejo outra explicação, até porque e o marido são latifundiários urbanos. Só uma cortina de fumaça pode estar por trás disso”, afirmou, ao salientar que o governo afirma não ter dinheiro para as prioridades do Estado como repassar o duodécimo dos Poderes, comprar remédios e material cirúrgico, mas “para estimular essa prática criminosa, que virou caso de polícia, o governo tem muita disposição”.

George Melo disse que vai buscar ajuda junto ao Ministério Público porque apesar de envolver terras de particulares, a Famer, enquanto associação pública, que reúne um grupo expressivo de moradores, comete crime ao invadir terrenos alheios. “Devo procurar os promotores da pasta para denunciar, porque entra ano e sai ano e assistimos esse tipo de ação e não posso concordar com isso. Nem vou pelo lado da Famer de estar enganando os associados porque todos são maiores de idade e não têm perfil de pessoas analfabetas, pelo contrário, nas invasões só encontramos carrões. Ninguém ali é inocente, porque todo mundo sabe que invadir terra é crime”, ressaltou, ao salientar que se virar moda as demais associações invadirem propriedades privadas, a situação ficará insustentável.

O deputado Jânio Xingu (PSL) disse que também é contra a indústria da invasão. Ela defendeu a governadora Suely Campos (PP), alegando que a política do Executivo é outra e dentro da lei.

“Política de invasão eu sou contra e acredito que todos os deputados são contra, e não podemos apoiar a indústria da invasão. Essa Famer realmente virou a indústria de arrecadar dinheiro e merece uma investigação séria por parte do Ministério Público. Desde que cheguei em Roraima esse rapaz mexe com atividades de enganação, e vem sobrevivendo com isso. Não tem dado certo porque ele não consegue se eleger, porque o trabalho é desacreditado. Mas a governadora acabou de licitar um prédio inteiro, com quatro torres, 800 apartamentos, e serão licitados mais dez prédios, para construir em parceria com a Caixa Econômica, onde já 12 mil pessoas inscritas. Isso sim é política de habitação”, contrapôs.

 

Marilena Freitas