O simples fato de dedicar parte do tempo em atenção ao próximo pode salvar uma vida. É com esse propósito que várias pessoas estão procurando o Centro de Valorização da Vida (CVV), que neste sábado, 7, está fazendo a seleção de novos voluntários da entidade. O trabalho continua na tarde de hoje, a partir das 14h, no Instituto Federal de Roraima (IFRR), Campus Boa Vista, localizado avenida Glaycon de Paiva, 2496, bairro Pricumã, no horário das 8h às 12h e das 14h às 18h. No total, 46 vagas estão sendo disponibilizadas.

Na manhã de hoje, mais de 20 pessoas participavam da seleção, que inclui dinâmica de grupo, palestras e exibição de vídeos. O CVV atua ouvindo as pessoas que necessitam desabafar sobre assuntos que são tidos como verdadeiros ‘becos sem saída’ e que influenciam diretamente no psicológico dos envolvidos, problemas que podem resultar em trágicas histórias.

A psicóloga Sanara Alves de Lira chegou cedo ao evento para participar do processo de seleção. A escolha dela pelo trabalho foi pautada em princípios humano e espiritual. “Escolhi o CVV porque conheci o trabalho por meio da internet e também por amigos que já trabalham no Centro, e muito me agradou ver o desenvolvimento do trabalho voluntariado. A gente está aqui para se doar por completo. Não é um trabalho que promove a troca de dinheiro ou qualquer benefício material, mas é algo que traz para o voluntário um benefício espiritual muito grande. Isso para mim é tudo”, afirmou.

Quem sabe bem sobre a grandiosidade do trabalho é quem já faz parte da equipe, como o psicólogo Danilo Braga, que há um ano tira plantões no CVV. “Esse é um trabalho que sempre achei importante de ser realizado porque trata de escutar o outro, e quando você se permite a escutar o outro, automaticamente se permite a se escutar também. Estou há um ano e está sendo interessante porque é um trabalho inicial para fazer a Ong (Organização não-governamental) existir em Boa Vista”, disse.

Entre tantas histórias que Danilo Braga ouviu, uma ficou na sua memória. “Por mais que Ong atenda pessoas que tentam suicídio e acolhe esse tipo de conteúdo, tem pessoas que ligam para contar as coisas boas que lhes aconteceram durante o dia. Uma vez uma pessoa ligou para contar que estava muito feliz porque conseguiu pela primeira vez fazer um bolo. Ela ligou para o CVV porque não tinha ninguém para dividir, compartilhar essa história. Foi um momento interessante e de reflexão para mim, ao observar que um tempo que estamos dedicando ao outro é tão importante para vida dele”, avaliou.

A coordenadora do Centro de Valorização da Vida, Adriana dos Prazeres, explicou o CVV é uma Ong que atua no Brasil há mais de 56 anos dando a apoio emocional e, consequentemente, prevenindo o suicídio. “Atuamos basicamente pelo número de telefone 188. As pessoas ligam, não precisam se identificar, se assim preferirem, é um serviço gratuito e que funcionar 24 horas por dia”, explicou.

Atualmente o Centro tem disponível 11 voluntários. “Estamos hoje fazendo a seleção de novos voluntários porque ainda temos vários plantões abertos para preencher. A expectativa que os atuais voluntários continuem e novos venham nos ajudar, até para aumentar o número de atendimentos. O voluntário é o pilar do CVV, então o papel dele é muito importante porque se não tem voluntário, não tem como ouvir o outro”, esclareceu a coordenadora. O CVV funciona no prédio da Procuradoria Especial da Mulher, da Assembleia Legislativa, na avenida Capitão Júlio Bezerra, 193 (ao lado do Hospital Coronel Mota)

Por Marilena Freitas

SupCom/ALE-RR