O primeiro ciclo de 2018 do Núcleo Reflexivo Reconstruir, da Procuradoria Especial da Mulher da Assembleia Legislativa de Roraima, se encerra na próxima quarta-feira, 18. O fim dessa etapa será na sala do núcleo, localizado na avenida Capitão Júlio Bezerra, n° 193, Centro. Na ocasião será ministrada uma oficina de reciclagem por uma equipe da Casa da Capoeira, a partir das 9h. A primeira ação do ano contou com a participação de dez homens, nas faixas etárias de 25 a 40 anos.

O Reconstruir é um Núcleo que trabalha com homens autores de violência doméstica ou não. Por ser o último encontro, será aberto para a família do assistido. “Será um encontro diferente, mais descontraído, e eles poderão convidar a família. No penúltimo encontro foi pedido que eles levassem qualquer objeto que tivessem em casa, na lista para ser descartado, para reciclarem durante a oficina”, explicou a coordenadora do Núcleo, Jéssica Veras.

Ela avaliou esse primeiro ciclo positivo, haja vista o interesse desses homens em permanecerem participando deste trabalho. “A nossa avaliação é que quando eles terminam o ciclo estão com uma reflexão diferente sobre o que é família e a sociedade no cotidiano. Há mudança no comportamento deles e para melhor, é o que percebemos. Tanto é boa essa mudança que muitos deles não querem parar com esse trabalho e pedem para participar do próximo ciclo. Isso significa que nosso trabalho está ajudando famílias”, avaliou a coordenadora.

Os homens que são assistidos pelo Núcleo Reconstruir são selecionados por meio de outros órgãos públicos como Vara de Penas e Medidas Alternativas (Vepema), coordenada pelo Tribunal de Justiça de Roraima (TJRR), Defensoria Pública do Estado (DPE), Secretaria de Estado de Educação (Seed) e do Centro Humanitário de Apoio à Mulher (Chame). O curioso é que parte dos homens que participa dessas rodas de conversa realizadas pelo Núcleo nunca teve problema com a justiça.

“Os que procuram o Núcleo de forma espontânea é porque sentiram a necessidade. E são justamente esses que vêm de livre e espontânea vontade, que sempre desejam continuar. Muitos sofreram na infância ou presenciaram o pai praticar violência. Eles possuem uma vida mais fragilizada e quando a gente dá a oportunidade para falarem, essa troca de experiência ajuda na mudança do comportamento. Na roda de conversa, que é bem informal, nós do Núcleo falamos muito pouco. Eles são os que mais falam, apresentando suas necessidades para que possamos ajudá-los”, ressaltou Jéssica, ao salientar que todos trabalham.

Próximo Ciclo – O próximo ciclo do Núcleo Reconstruir iniciará no dia 02 de maio. No total serão dez encontros realizados. O quantitativo de participantes ainda não está fechado. “Estamos aguardando os nomes serem encaminhados ao Núcleo por meio da Vepema, DPE, Educação e do Chame”, afirmou Jéssica.

Por Marilena Freitas

SupCom/ALE-RR