Conciliar a maternidade com a vida intelectual e profissional exige dinamismo, persistência e foco no objetivo traçado. Mãe de primeira viagem, a jovem Dayane dos Santos de Oliveira, de 19 anos, ainda nem concluiu o ensino médio, mas decidiu que iria aproveitar as oportunidades ofertadas pela Escola do Legislativo – unidade do Silvio Botelho, para continuar estudando. A meta dela é passar em um concurso público para dar, futuramente, uma qualidade de vida melhor para o filho Enzo Miguel dos Santos Matias, de apenas 7 meses.

Ela e o marido estão desempregados, o que impossibilita arcar com os custos de cursinho particular, afinal agora a família aumentou, triplicando os gastos. Moradora do Senador Hélio Campos, bairro localizado na zona oeste de Boa Vista, no dia em que o marido não pode levá-la de motocicleta por estar em busca de emprego, ela leva em média 30 minutos andando para chegar a instituição de ensino que tem como meta preparar os alunos para concursos públicos, Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) e vestibulares, além de ofertar cursos de capacitação.

Nessa maratona e por falta de recursos para pagar uma pessoa para cuidar do filho, ela não se intimida e traz na ‘mochila’ o Enzo para a sala. Ao mesmo tempo em que assiste aula, Dayane cuida do filho, com os cuidados necessários que um bebê nessa idade requer. Ela dá de mamar, troca fralda e acalenta quando precisa, apesar de que o Enzo parece ter entendido que aquele é um ambiente escolar e que o silêncio é fundamental para a compreensão da disciplina.

“Essa experiência está sendo boa porque na primeira vez que trouxe pensei que ele iria chorar, mas não, ele dormiu durante toda a aula. Então para mim está sendo muito tranquilo. Trouxe o bebê porque não quis deixar com meus irmãos que são adolescentes”, contou.

O esforço empreendido na meta a ser alcançada, acredita Dayne que não será em vão. “Acho que está sendo válido trazê-lo para sala de aula porque eu estou aprendendo, e isso vai servir tanto para o meu futuro quanto para o futuro dele. Não aprendo tão rápido o que é passado nas aulas de Direito Administrativo, mas daí não estudo só aqui. Tudo que vejo na aula eu reviso em casa porque minha meta é passar em concurso, de preferência de radiologia, que é a profissão da minha mãe”, disse.

Dayane não tem dúvida que é por meio do estudo que se galga degraus mais altos. “A gente tem que ter estudo, porque sem estudo não somos praticamente nada. E tenho que dar bom exemplo para o meu filho, pois quero muito que estude e se forme no que ele quiser, pois vou apoiá-lo na sua escolha. Eu também sou nova e estou tendo muita oportunidade de estudar, como essa que está sendo dada pela Escola do Legislativo, é só eu me esforçar, e é isso que estou fazendo”, reforçou.

A coordenadora da Escola do Legislativo, professora Cristina Mello, disse que o objetivo da instituição é dar o suporte ao aluno que quer estudar. “É um prazer muito grande para a Escola do Legislativo recebê-los, principalmente uma jovem que tem a perspectiva de estudo como a Dayne. Essa é uma história inspiradora e nós, mulheres, sempre seremos lutadoras, sejam mães ou não; sejam mães e pais ao mesmo tempo, pois a maioria das mulheres exerce essa função dentro da sociedade. E aqui na Escola do Legislativo, temos o objetivo de atender nossos alunos, que não deixam de ser nossos filhos nessa perspectiva de educação”, disse.

A teóloga Selma Oliveira, 48 anos, casada, mãe de duas filhas, sabe bem na prática o que é criar um filho. “É um sacrifício que vai valer a pena. Ela aos 19 anos já está nessa busca, enquanto que eu, somente agora, com quase cinco décadas. Essa moça terá muito mais oportunidades na vida, então é um esforço válido trazer o filho para a sala de aula, ainda que perca um pouco do conteúdo da aula, mas o que aprender vai servir para o futuro, quando ela verá que o sacrifício se transformou em uma vitória. Isso é ser mãe!”, comentou.

 

Por Marilena Freitas

SupCom/ALE-RR