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O plenário da Assembleia Legislativa de Roraima (ALE-RR) aprovou na sessão desta quarta-feira, 13, o projeto da deputada estadual Aurelina Medeiros (Podemos) criando a Virada Feminina, evento para promoção de ações pela equidade entre mulheres e homens. A proposta é que a ação faça parte do calendário oficial do Estado, a ser comemorada anualmente na última semana de maio. A matéria segue para análise do Executivo.

Os eventos realizados com essa temática buscarão sensibilizar a sociedade para a importância do papel da mulher, por meio de parcerias entre os organismos governamentais e não-governamentais.

A autora do projeto afirmou que não são comuns, em Roraima, movimentos de mulheres que tratem da valorização e da ocupação do espaço pelo sexo feminino. Segundo ela, muito se fala sobre igualdade, mas falta um movimento que marque essa “virada”. “Esse movimento vem para debater o que é a igualdade que tanto se prega. Lutamos pela igualdade de gênero e pela valorização da mulher que, acima de qualquer coisa, desempenha todas as funções com muita competência, zelo e honestidade”, justificou a parlamentar.

Aurelina argumentou, ao apresentar o projeto, que a necessidade de ambos os sexos serem livres para fazer suas escolhas e desenvolver suas capacidades pessoais, sem interferência ou limitações advindas de estereótipos, é uma condição fundamental para uma sociedade madura. Mas, que apesar de existir uma luta secular pela equiparação dos direitos, a realidade aponta uma lacuna a ser preenchida.

Ela citou, por exemplo, que apenas 17% de todos os ministérios do mundo são chefiados por mulheres, e que elas ocupam 22% de todos os parlamentos, segundo dados da União Interparlamentar (UIP), órgão ligado à Organização das Nações Unidas (ONU).

No mercado de trabalho, ressalta a parlamentar, as mulheres trabalham tanto ou mais que os homens, e, em grande parte das vezes, com remuneração inferior. “Levando em conta o trabalho pago e não pago, como as tarefas domésticas e o cuidado com as crianças, as mulheres trabalham em média 30 minutos a mais que os homens em países desenvolvidos, e 50 minutos a mais nos países em desenvolvimento. Mas, infelizmente, as horas a mais trabalhadas não refletem no salário que recebem”, ressaltou.

A violência em geral, praticada contra a mulher, também foi argumentada pela parlamentar como justificativa para criar a Virada Feminina. Segundo ela, a taxa de feminicídio dobrou, e, hoje, uma mulher é assassinada a cada duas horas, colocando o Brasil como o sétimo pais do mundo com as maiores taxas de feminicídio. “Queremos uma semana de discussão acerca do papel e da sensibilização de que a mulher é importante na política”, disse, ao ressaltar que Roraima é um estado atípico pela quantidade de cargos públicos do primeiro escalão ocupados por mulheres.

Marilena Freitas

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