A promotora de Defesa da Saúde do Ministério Público de Roraima, Jeanne Sampaio, participou de audiência pública com a categoria da Enfermagem nessa sexta-feira (25), na Assembleia Legislativa de Roraima e falou sobre o atual cenário da Saúde Pública no Estado de Roraima. “Apesar de toda essa esperança, nada avançou. Estamos com o mesmo cenário que tínhamos no mês de outubro de 2018, talvez pior”.

Informações que chegaram até a promotora apontam um esquema de superfaturamento de cirurgias que custariam aos cofres públicos até 100 vezes a mais do que uma cirurgia que poderia ser feita de maneira regular no sistema público de Saúde. Jeanne Sampaio disse que a gestão estadual é ineficiente, não falta dinheiro, mas gestão, e que falta vontade política.

Segundo ela, o que há são inúmeras decisões judiciais ingressadas por pacientes para garantia de uma cirurgia. “Poderiam ser resolvidas se houvesse realmente adequação administrativa que os hospitais precisam para trabalhar, ou seja, se tivessem os insumos, medicamos, a estrutura. Há inúmeras decisões judiciais para organizar isso, mas o Estado continua inerte, continua sem a vontade política necessária para resolver esses problemas”, pontou Jeanne.

Em um ano, disse, houve um crescimento “vertiginoso” de gastos judiciais, o que inclui custos processuais e honorários advocatícios, o que afeta diretamente o orçamento final da Saúde. “O que ele [cidadão] busca no Hospital Geral, no hospital Coronel Mota, na Maternidade, ele só consegue porque o juiz determina que o Estado assim o faça”, falou a promotora. Jeanne Sampaio disse que tem muita esperança na CPI da Saúde (Comissão Parlamentar de Inquérito), da Assembleia Legislativa de Roraima, para ajudar a elucidar todas essas questões.

Texto: Yasmin Guedes

Foto: Eduardo Andrade

SupCom ALE-RR