Nesta semana, em Roraima, uma operação deflagrada pela Polícia Civil prendeu 18 homens investigados por violência doméstica e crimes sexuais. Até que casos como estes cheguem ao conhecimento da Polícia ou da Justiça, é fundamental o suporte dado por instituições como a Procuradoria Especial da Mulher, que por meio do CHAME (Centro Humanitário de Apoio a Mulher), informa e encoraja vítimas a prestarem queixas às autoridades.

Até novembro de 2019, mais de 800 atendimentos foram registrados pela equipe do CHAME, composta por uma psicóloga, assistente social e advogada. A mulher que sofre essa violência é acolhida e ouvida, para que possa ser orientada sobre os procedimentos legais a serem tomados, além de tratar os traumas provocados pela violência. “Quando elas nos procuram elas querem denunciar o agressor, pedir uma medida protetiva, e nós encaminhamos pra delegacia porque lá é o órgão responsável para formular a denúncia”, apontou a advogada Fabiana Baraúna.

Do fim de novembro até o início de dezembro, o CHAME intensificará as ações, durante os 21 dias de Ativismo para o Fim da Violência Contra Mulher. Fabiana Baraúna pontua que as informações tem encorajado as mulheres a denunciarem. “Essa violência não surgiu de ontem pra hoje. A gente vê que não é só que cresceu o número de casos. Existe violência de 10, 15, 20 anos que agora estão sendo denunciadas.”

CHAME nas igrejas

Para ampliar o alcance das mulheres às informações, o CHAME tem orientado, por meio do Projeto Mulheres Iluminadas, o público evangélico. A medida foi adotada considerando que aproximadamente 40% das denúncias de violência doméstica eram feitas por mulheres religiosas.

Por questões ligadas à religião, nas quais muitas orientam submissão da mulher ao marido, o tema da violência doméstica acaba se tornando tabu. É por meio da informação que essas mulheres ganham voz e força. “A gente tenta de todas as formas sensibilizar de que as redes [de proteção] funcionam”, disse a advogada.

Denúncias

A instituição disponibiliza 24 horas, fins de semana e feriados, plantonistas preparadas para dar o suporte que a mulher vítima de violência doméstica precisa, por meio do ZAP CHAME 98402-0502. Dúvidas e denúncias podem ser encaminhas ao número, o que pode ocorrer de forma anônima.

Além disso, quem tiver interesse em solicitar palestras sobre a violência contra mulher, pode ir até a sede do órgão na rua Coronel Pinto, 524, Centro, ou entrar em contato pelo número 98801 0522.

Texto: Bárbara Araújo

Foto: SupCom ALE-RR