Sonhos e oportunidades são os ingredientes que amparam o programa Abrindo Caminhos,  que neste domingo (29) completa quatro anos de criação. Desde 2016, a instituição da Assembleia Legislativa oferece atividades pedagógicas, culturais e esportivas para crianças e adolescentes de 5 a 17 anos. Atualmente são 2.800 alunos matriculados na capital.
A adolescente Júlia Ferreira, de 12 anos, até pensa em ser atriz quando crescer. Essa paixão nasceu nas aulas de Teatro no Abrindo Caminhos, atividade que ela iniciou há três anos. A aluna já participou de várias apresentações. “Nunca imaginei em pisar em um palco. Não sei explicar, mas a sensação é boa. Eu gosto de teatro, eu me sinto bem nas aulas e no palco”, disse.
A mãe dela, Diva Cunha, contou que a filha sempre teve uma veia artística, tanto que já teve aulas de flauta doce e violino. A assistente social explicou que antes de conhecer o Abrindo Caminhos, pesquisou cursos particulares de teatro, mas eles estavam localizados em bairros distantes e os valores chegavam a R$ 400. “O teatro ajudou bastante no desenvolvimento dela, a parte da timidez, até na escola, nas apresentações. Teve muitas mudanças positivas e que contribuíram também nessa fase de criança até a pré-adolescência”.
A Jhenifer Dias, de 11 anos, já gosta de se expressar por meio da dança. Neste ano, ela começou as aulas de balé na instituição. Devido à pandemia, as aulas atualmente ocorrem a distância. Com os cachos presos em um coque, saia e sapatilha, a menina faz as aulas na sala de casa, movida por um sonho. “Eu amo balé, quero ser bailarina e apresentar em vários lugares do Brasil”, destacou.
Ela dança balé desde os três anos, já estudou em uma escola particular, mas pagar as mensalidades era um desafio para a família. A mãe Josiane dos Santos destacou que sem o apoio do Poder Legislativo seria difícil manter o sonho da filha. Atualmente, Josiane administra o empreendimento do esposo que funciona no quintal de casa, com o serviço de lanternagem e pintura. “Hoje está difícil, os valores são altos, com as dificuldades que estamos vivendo hoje. Ela sonha, deseja e a gente vai ajudando desde pequena”, contou.
Por meio do programa, crianças tiveram o primeiro contato com o Coral, Jiu-jítsu, Informática, Jazz, Futebol, Teatro, Ginástica Rítmica e Balé. A diretora da instituição, Viviane Lima, explicou que nos últimos quatro anos os resultados são positivos na vida dos alunos e familiares. “O objetivo do programa é esse, de realizar sonhos, de fazer com que eles se descubram aqui, independente da atividade que esteja fazendo. É importante que a gente plante essa semente no coração deles, esse desejo de realizar um sonho”.
Resultados
Com o passar do tempo os sonhos dos pequenos ultrapassaram as paredes da sala de aula.  Na área da dança, bailarinos se apresentaram ao público, ganharam bolsas em escolas particulares, e um deles até conquistou uma vaga na Escola de Teatro Bolshoi, em Santa Catarina. No esporte, atletas se destacaram em campeonatos estaduais e nacionais de jiu-jítsu. Neste ano, a instituição foi considerada a quarta melhor academia no Estado pelo ranking da Federação de Jiu-Jítsu do Estado de Roraima (FJJERR).
Já em ginástica, no ano passado, 9 meninas participaram pela primeira vez de uma competição fora do Estado, em Manaus. No mesmo período, 18 atletas aprenderam técnicas da modalidade com a ex-ginasta da Seleção Brasileira, Ana Paula Ribeiro. Sobre as atividades artísticas, o palco fez parte da rotina dos alunos com apresentação em eventos regionais e das programações realizadas pelo Poder Legislativo aberto ao público.
Neste ano, outra novidade foi a inauguração do novo prédio com um espaço mais amplo e aconchegante para a comunidade, no bairro Buritis, na avenida Ataíde Teive, nº 3510. Com essa mudança, ampliou-se o número de vagas e houve novas modalidades como violão e karatê.
Mas por conta da pandemia do novo coronavírus, as atividades presenciais foram suspensas. Neste cenário, a internet virou uma aliada do programa para manter o contato com a comunidade. Hoje os professores estão passando atividades a distância e interagem pelos grupos no aplicativo WhatsApp.
Texto: Vanessa Brito
Foto:  Eduardo Andrade
SupCom ALE-RR