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OUTUBRO ROSA
Exposição ‘A Beleza da Minha Luta’ retrata superação de mulheres na batalha contra o câncer

A experiência de mulheres que lutam ou venceram a batalha contra o câncer de mama será retratada na exposição “A Beleza da Minha Luta”, realizada pelo CHAME (Centro de Humanização e Apoio à Mulher) da Assembleia Legislativa de Roraima (ALE-RR) em alusão ao Outubro Rosa, mês dedicado a conscientizar a população sobre a importância de se cuidar e fazer exames regulares.

 

A exposição poderá ser apreciada nesta terça (26) e quarta-feira (27), a partir das 8h, no Espaço Cultural Malu Campos, da Casa Legislativa. O verbo lutar na frase que nomina a exposição faz referência às vitórias emplacadas a cada dia por nove mulheres, modelos da mostra fotográfica produzida pela Superintendência de Comunicação do Poder Legislativo.

 

 

 

A procuradora especial da Mulher, deputada Betânia Almeida (PV), lembrou que o Outubro Rosa é apenas um mês de conscientização, e que a prevenção se dá todos os dias.

 

“Sentiu alguma alteração na mama, procure o médico o quanto antes. Mas quero fazer um convite especial para você e sua família para prestigiar a exposição que homenageia essas mulheres que são tão guerreiras e nos representa”, convidou.

 

 

 

São inspiradoras as histórias de Antonia Sousa, Elcyane Borges, Eloína dos Santos, Francisca Gonçalves de Oliveira, Hessy Nunes Leite, Larisse Livramento dos Santos, Lunar Karen Magalhães Gomes, Maria Aparecida Miramontes e Maria Dalva Gonçalves Reges.

 

Elas concederam entrevistas para a Superintendência de Comunicação, em um clima descontraído, durante a sessão de fotos feita pelo fotógrafo Thiago Orhiuela, para falar como foi enfrentar a doença, os desafios superados e a mudança interior que cada uma vivenciou. Confira um pouco da trajetória de luta dessas mulheres.

 

 

Antonia Sousa

 

Acostumada a lidar com pacientes, a técnica em enfermagem Antonia Sousa, 44 anos, depois de enfrentar um câncer na mama, mudou o sentimento e o olhar sobre o sofrimento dos pacientes. “A gente faz um pré-julgamento. Achava que tinha entendido minha mãe, que lutou durante dez anos com essa doença, mas não entendi. Por mais próximo que o paciente seja, a gente só entende quando é com a gente”, contou emocionada.

 

Apesar de ter relutado em aceitar o convite, a sessão de fotografia para exposição se tornou um “analgésico” na vida de Antonia, que até esqueceu a dor contínua dos pés, sequelas da quimioterapia. “Fazia muito tempo que não sentia minha autoestima tão lá em cima. Foi uma luta para vir, mas se não tivesse vindo, teria me arrependido. Foi tão bom. Estou me sentindo leve. Amei!”, relatou.

 

 

Elcyane Borges

 

A psicóloga Elcyane Borges, 49 anos, se diz uma vencedora. Ela descobriu o câncer em 2019 e disse que foi um choque, pensando logo que iria morrer. Mas depois da consulta e de receber aquele alento do médico, mudou de ideia. “Quando o médico disse que eu tinha cura, disse para mim mesma ‘vou morrer um dia, mas não de câncer’, e aí segui no tratamento. Hoje, me sinto muito mais fortalecida porque a doença trouxe um olhar diferente. Hoje, me priorizo, coloco-me em primeiro lugar, primeiro cuidar de mim para depois cuidar do outro. Temos que estar atentas ao próprio corpo. Essa é a minha mensagem”, disse Elcyane.

 

Ela fez quimioterapia, radioterapia e uma cirurgia conservadora, que preservou a mama quase que totalmente. Atualmente, faz hormonioterapia, que é um bloqueador hormonal, pois o tumor que ela teve se alimenta dos hormônios femininos. Além disso, com um colega escreveu um livro sobre a doença e como superá-la.

 

Eloína dos Santos

 

A dona de casa Eloína dos Santos, 48 anos, iniciou o tratamento em 2017 e não teve reações físicas severas, mas o sentimento mudou completamente. “Hoje, tenho um amor maior pelas pessoas, a preocupação de sempre querer ajudar, nem que seja com uma palavra. Deus foi e continua sendo tremendo comigo, pois me curou, dando-me uma nova chance de vida, sou muito honrada e grata a Deus”, afirmou Eloína.

 

O tratamento a deixou careca, mas o novo cabelo é uma moldura especial do rosto. Para ela, ser uma das nove modelos da exposição é motivo de alegria porque vai contribuir com a autoestima de outras mulheres que enfrentam a luta contra o câncer.

 

Francisca Gonçalves de Oliveira

 

Foi penteando os longos cabelos que Francisca Gonçalves de Oliveira, 48 anos, sentiu o nódulo na mama e, de imediato, procurou o médico que diagnosticou a doença no final de 2014. No ano seguinte, iniciou o tratamento de quimioterapia e fez a cirurgia para a retirada total da mama, que deixou sequelas no braço. Em 2018, por conta de cistos no útero, enfrentou nova cirurgia para a retirada total do órgão reprodutor.

 

“Fiquei preocupada, mas Deus estava sempre comigo. A minha mensagem para quem passa por esse problema é que não desista do tratamento. E para quem está bem, todo ano faça a mamografia, o preventivo e o autoexame, que é muito importante. Outra coisa, não tenham medo! Não se isolem! Pensar negativo leva à depressão. Se quer ter saúde e vencer o câncer, pense positivo!”, recomendou.

 

Hessy Nunes Leite

 

Durante uma conversa com a netinha em 2006, a técnica em Recursos Humanos Hessy Nunes Leite, hoje com 67 anos, descobriu o nódulo na mama. “Estávamos assistindo a uma novela quando minha neta perguntou o que era o autoexame e fui explicar na prática. Ao tocar na minha mama, senti uma bolinha, busquei o médico e, após os exames, deu positivo. Fiz todo o tratamento, incluindo a cirurgia. Na reincidência, em 2019, retirei toda a mama com reconstituição imediata, e ainda estou em tratamento”, relatou.

 

Ela contou que tanto a quimioterapia quanto a radioterapia são tratamentos agressivos, mas que é preciso encarar situações como essa com naturalidade. O apoio da família, assegurou Hessy, é fundamental porque tudo se torna mais fácil.

 

 

Larisse Livramento dos Santos

 

Pode-se dizer que a experiência da doença na vida da servidora pública Larisse Livramento dos Santos, 35 anos, teve um lado muito positivo. Para ajudar a si mesma e outras mulheres, tornou-se escritora e blogueira. “Combati a falsa ideia de que o câncer é o fim da vida com as redes sociais. Escrevi o livro Cartas Oncológicas com uma colega, que mostra que o câncer tem possibilidade de tratamento, de cura e de vida. Nossa vontade é quebrar paradigmas de que o câncer é o fim. Pode ser o fim, mas também pode ser uma vida diferente, ressignificando o olhar, o que a gente acredita. Nós aprendemos a voar, mesmo não tendo asas”, explicou, ao contar que descobriu a doença durante os exames de rotina.

 

Como blogueira, com dez mil seguidores, ela leva informação, mostrando como funciona uma sala de quimioterapia, onde, além do tratamento tradicional, são realizadas festas como o Carnaquímio, uma vez que 50% da cura são o bem-estar emocional do paciente.

 

 

Lunar Karen Magalhães Gomes

 

A ferroada de uma formiga foi o ponto de partida para a servidora Lunar Karen Magalhães Gomes, 43 anos, descobrir o câncer. “Quando essa abençoada formiga me picou, ao tocar no local, senti o nódulo e busquei tratamento, que durou cerca de um ano. Nós, mulheres, temos que nos cuidar, nos amar e nos tocar. O Outubro Rosa era para ser mensalmente porque o diagnóstico precoce tem mais chance de cura”, afirmou.

 

Lunar está em acompanhamento médico desde 2013, quando descobriu a doença. Além da mastectomia radical da mama, ela fez 21 sessões de quimioterapias, teve muitos enjoos e o cabelo caiu, mas hoje garante que está curada.

 

Maria Aparecida Miramontes

 

A professora aposentada Maria Aparecida Miramontes, 69 anos, não gosta de falar no assunto para não recordar os momentos difíceis pelos quais passou durante o tratamento. “Quero deixar este assunto trancado numa gaveta. Gosto de viver o presente e estou curada, graças a Deus. Sou uma mulher feliz e renovada. Mulheres, façam anualmente a mamografia, se toquem na hora do banho e se amem muito”, conclamou.

 

Ela descobriu a doença bem no início fazendo o autoexame na hora em que tomava banho. A luta foi complicada. Além da mastectomia total, posteriormente teve que fazer uma nova cirurgia porque o local inflamou. Mas hoje segue feliz.

 

 

Maria Dalva Gonçalves Reges

 

A esteticista terapêutica holística Maria Dalva Gonçalves Reges, 52 anos, teve câncer no colo do útero. Quando descobriu, já estava em estado avançado, atingindo o reto, a bacia e os ossos da pélvica esquerda e direita.

 

“Fiz 29 radioterapias em cada um dos focos da doença, bem como 12 quimioterapias casadas, mas o tumor apenas reduziu. Fiz braquiterapia e o tumor não recuou. Então, tive um sonho em que o médico mostrava os nódulos em cima de uma maca cirúrgica, dizendo que havia me operado. Após fazer novos exames e mostrar à médica, não havia mais nada. A partir daquele momento, não tomei mais nenhum remédio. Fui curada”, relatou.

 

a mensagem dela é que “a mulher não se sabote, busque a saúde porque isso é muito importante para prevenção”.  E, estando em tratamento, “não desista e não seja covarde consigo mesma, e não alimente pensamentos ruins”.

 

 

Texto: Marilena Freitas

Foto: Tiago Orihuela

SupCom ALERR

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