“Eles não conseguem ficar onde deveriam ficar porque não tem comida”, declarou o deputado Gabriel Picanço.

O deputado Gabriel Picanço (PRB) subiu a tribuna da Assembleia Legislativa de Roraima, nesta quarta-feira (24), para falar sobre o abandono, por parte de autoridades locais, dos índios Yanomami e de outras etnias que perambulam pelas ruas da capital e do interior do Estado.

Segundo ele, isso acontece pelo fato da Fundação Nacional do Índio (Funai) não ter domínio sob os indígenas, pois a gerência disso foi repassada ao Instituto Socioambiental (ISA), uma Organização Não Governamental existente há mais de 20 anos no país. “O que essa ONG fez? Proibiu o acesso da Funai para resolver qualquer problema deles [índios], sendo que os índios ficam as margens da BR 174, causam acidentes e uns até morreram vítimas de acidentes nas estradas”, completou.

A proposta do discurso, explicou o parlamentar, é fazer com que o Ministério Público Federal (MPF) notifique a ONG para que se preste assistência aos indígenas. Lembrou que há mais de dois anos, uma fazenda na região do Catrimani, em Caracaraí, foi desapropriada para demarcação. Disse ainda que hoje a área está abandonada, tomada pelo mato e que não houve incentivo para que os indígenas aproveitassem para cultivar o local para produção.

Gabriel Picanço relacionou a falta de apoio e assistência com a imigração de membros das comunidades indígenas para capital e para as sedes dos municípios no interior em busca de alimentos. “A reserva Yanomami tem mais de nove milhões de hectares e índio não come terra, tem que ter assistência, eles não são mais selvagens, eles não são mais isolados. A Funai demarcou as terras, ‘bote’ técnico lá, ‘bote’ pra produzir, incentive a produzir”, sugeriu.

O deputado George Melo (PSDC) colaborou, em aparte, com o pronunciamento de Gabriel Picanço e ressaltou que as ONGs recebem dinheiro para ajudar as populações indígenas, mas suspeita que essa verba tenha outro destino. “Eles não conseguem ficar onde deveriam ficar porque não tem comida e hoje a periferia da nossa cidade está cheia de índio, como também o ‘caboco’, que é o índio civilizado (..), não tem apoio de nada, nem da Funai”, lamentou e disse as ONGs só aparecem para demarcar terra.

Ele citou a situação do Linhão de Tucuruí para interligar Roraima ao Sistema Nacional de Energia e disse que a decisão dos indígenas em não liberar a passagem da obra causa problemas para um Estado inteiro.

O deputado Joaquim Ruiz (PTN) criticou o tratamento do ISA aos Yanomami e falou que muitos, em busca de sobrevivência, saem das comunidades e enfrentam caminhos de 89 quilômetros mata adentro para chegarem a Campos Novos, em Iracema, e, posteriormente, seguir para Boa Vista. “O que me espanta nisso tudo é que o MPF não toma uma posição em relação a essa ONG”, repreendeu e salientou ainda que esse Instituto faz parte de um grupo de Organizações contra a instalação de hidrelétricas em Roraima, tendo um movimento, inclusive, sobre a situação das corredeiras do Bem Querer, em Caracaraí.

O parlamentar lembrou que solicitou do ISA um estudo técnico para mostrar à população a inviabilidade da hidrelétrica do Bem Querer, pois na época, representantes da ONG afirmaram que as cidades de Mucajaí e Iracema alagariam com a construção, causando uma comoção da população. Em Manaus, durante a realização do Parlamento Amazônico acompanhado por ele a época, se lembrou da apresentação de um técnico que garantiu a viabilidade da construção.

Por Yasmin Guedes

SupCom/ALE-RR