O abastecimento de água é um serviço essencial à pessoa humana, portanto não pode haver descontinuidade na oferta. Mas não é isso que está acontecendo na prática em Boa Vista, onde tem sido comum as reclamações inerentes à falta de água nos bairros em geral. Por conta das inúmeras reclamações recebidas, o Procon Assembleia resolveu oficiar a Companhia de Águas e Esgotos do Estado de Roraima (Caer).

“Vamos enviar um ofício à presidência da Caer para que possa se pronunciar sobre as frequentes faltas de água na cidade. O importante para o Procon é que o servidor esteja satisfeito com o serviço e o fornecedor deve informações ao consumidor sobre o que está acontecendo, até porque ele paga pelo serviço e este deve ser efetuado com qualidade”, disse a diretora do Procon Assembleia, Eumária Aguiar.

O órgão de defesa do consumidor da Assembleia Legislativa já recebeu muitas denúncias anônimas sobre a descontinuidade do serviço. “A água é um serviço essencial e que deveria ter a prioridade do atendimento”, reforçou a diretora. A reclamação é de toda a cidade.

Eumária orientou a quem se sentir prejudicado que denuncie a situação ao Procon Assembleia. “Quando a pessoa denuncia ao Procon, em seguida a Caer é oficiada para dar explicação sobre o motivo da falta de água. Damos um prazo para que a Caer resolva. Não resolvendo, marcamos audiência para que possa saber quais os motivos, até porque esse não é o problema de um consumidor, mas coletivo. Com base nisso, vamos achar uma solução, ver se é necessário entrar com uma ação coletiva para resolver o problema, já que muitos consumidores estão sendo prejudicados”, explicou.

O editor de imagens, Anderson Araújo, que mora no bairro Cambará, zona Oeste da cidade, disse que a situação daquela localidade é também calamitosa, já que as ruas estão sendo cortadas por obras e a poeira é intensa e prejudicial à saúde. “Ontem (quinta-feira) tive que tomar banho de balde, ao relento, porque a água só chega na torneira do jardim, que é mais baixa. Aliás, o jardim está virando terra arrasada, igual o fim de uma guerra, com a grama toda queimada, plantas morrendo, sem qualidade de vida”, disse.

A comerciária Rosiane Sousa de Melo, 19 anos, moradora do bairro Aparecida, vive de aluguel e mensalmente desembolsa R$ 50,00 para pagar a água que consome. Ela considera o valor salgado para a péssima prestação de serviço.

“Estamos tendo falta de água diariamente. Ontem (quinta-feira) cheguei em casa por volta de meio dia para almoçar e não tinha água para fazer almoço e nem tão pouco tomar banho. Tive que comprar comida. Hoje pela manhã quando fui tomar banho para ir trabalhar, estava faltando água de novo. E aí, como é que faz? Tem que esperar. Geralmente a falta de água é no momento que mais se precisa, nos horários de pico. Isso é uma grande falta de respeito, porque todos os meses pagamos nossa conta e quando precisa não tem o serviço. Eu, por exemplo, acho muito caro o que pago para não ter um serviço de qualidade”, criticou.

Por Marilena Freitas

SupCom/ALE-RR