A informação também pode ser luz, clareando o caminho e evitando perigos. É esse o papel do projeto Mulheres Iluminadas, realizado pelo Centro Humanitário de Apoio à Mulher (Chame), que busca sensibilizar o meio religioso sobre a violência doméstica. Na noite desta sexta-feira (4) as técnicas estiveram na Primeira Igreja Batista Nova Cidade orientando o público sobre o assunto e mostrando as formas de procurar ajuda.
Desde junho deste ano as palestras sobre o tema têm sido intensificadas em diversas congregações em Boa Vista. A coordenadora do grupo, Liege Xavier, explicou que o projeto surgiu por conta da demanda apresentada junto ao Chame, em que boa parte dos casos atendidos envolvia mulheres cristãs. “Nós vamos às igrejas, a esses ambientes e levamos essas informações para elas porque elas desconhecem”.
Quando se pensa em violência as pessoas tendem a associar à agressão física. No entanto, a palestra busca desmistificar essa percepção sobre o assunto e ajudá-las reconhecer se estão ou não passando por uma situação que as coloquem em perigo. Para a servidora pública Thomires Pereira, o momento foi esclarecedor. “Muitas mulheres desconhecem que passam por essas situações, mas não sabem onde buscar apoio ou a quem recorrer.”
E não é só quem está casado que está vulnerável a essa situação. Para a auxiliar veterinária  Sara Persaud, de 22 anos, os jovens também devem ser orientados sobre o que é violência, pois isso também ocorre dentro de namoros e amizades. “Estar apaixonada é uma questão delicada, a gente quer satisfazer a pessoa, dar o nosso melhor e quer que seja tudo muito legal. Nós mulheres, por sermos mais sentimentais, acabamos nos entregando muito mais e aceitando coisas que não são normais.”
Durante a programação, uma dinâmica foi realizada para que as mulheres pudessem refletir sobre palavras como, amor, casamento, saúde e analisar esses temas dentro de seus relacionamentos. Além disso, um questionário foi passado para que elas fizessem uma avaliação sobre si mesma.
Violência foméstica no âmbito evangélico
O Chame identificou que 40% das mulheres que sofriam violência doméstica e procuravam a equipe para pedir ajuda eram evangélicas, uma estatística que gera preocupação. Por isso, essas ações têm sido realizadas dentro do ambiente onde esse público está inserido. O pastor Edmilson Marinho destacou a importância de discutir o tema dentro das igrejas. “Assim podemos abrir os olhos da igreja, comunidade e famílias sobre esse assunto que muitas vezes a gente, como igreja, não aborda por achar que não acontece no nosso meio.”
As congregações que desejarem que o grupo realize também esse momento de conversa e orientação, podem ir até o prédio do Chame, localizado na rua Coronel Pinto, 524, centro e solicitar a palestra.
Texto: Bárbara Araújo
Foto: Eduardo Andrade
 SupCom ALE-RR